Pneumonia Pediátrica: Manejo da Falha Terapêutica

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2023

Enunciado

Ana Ester, sete anos, é atendida no posto de saúde pelo médico do PSF, com uma história de tosse, cansaço e febre há seis dias, sem outras queixas. Ao exame, apresenta-se com estado geral regular, taquipneica, afebril, corada, acianótica, sem sinais de desidratação, tempo de enchimento capilar < 2 segundos. Ausculta respiratória: diminuição de murmúrio vesicular em base direita, com estertores finos. FR=44 incursões por minuto, SatO2=95%. Restante do exame físico sem alterações. Iniciado amoxicilina. Após 72h, persistia febril, com aparecimento de tiragem intercostal e subcostal. Qual a conduta mais adequada para esse caso?

Alternativas

  1. A) Realização de radiografia de tórax, hemograma e proteína C reativa. Após resultado desses exames, definir se tratamento ambulatorial ou internamento.
  2. B) Internamento e iniciar antibioticoterapia por via parenteral.
  3. C) Manter amoxicilina e deixar antitérmico fixo e reavaliar com 48 horas, ou antes, se piora.
  4. D) Modificar esquema para amoxacilina com clavulanato, orientação de aumentar a ingesta hídrica, além de solicitar reavaliação com 48 horas.
  5. E) Substituir amoxacilina por macrolídeo, com orientação de reavaliar com 48 horas, ou antes, se piora clínica.

Pérola Clínica

Pneumonia pediátrica com falha terapêutica (piora clínica após 48-72h ATB oral) → internação e ATB parenteral.

Resumo-Chave

A persistência de febre e o aparecimento de sinais de desconforto respiratório (tiragem) após 48-72 horas de antibioticoterapia oral adequada para pneumonia em crianças indicam falha terapêutica. Nesses casos, a conduta é a internação hospitalar e a transição para antibioticoterapia parenteral, devido ao risco de complicações e necessidade de suporte mais intensivo.

Contexto Educacional

A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O reconhecimento precoce e o manejo adequado são cruciais. A maioria dos casos de pneumonia bacteriana em crianças é tratada com sucesso com antibióticos orais, como a amoxicilina, em regime ambulatorial. No entanto, é fundamental monitorar a resposta ao tratamento. A falha terapêutica, caracterizada pela persistência ou piora dos sintomas após 48-72 horas de antibioticoterapia, é um sinal de alerta. Nesses casos, a criança pode estar desenvolvendo complicações (derrame pleural, empiema, abscesso pulmonar) ou ter uma etiologia resistente ao tratamento inicial. Diante da falha terapêutica, a internação hospitalar é imperativa. A conduta inclui reavaliação clínica, exames complementares (radiografia de tórax para identificar complicações, hemograma, PCR) e a transição para antibioticoterapia parenteral, com cobertura para patógenos mais resistentes ou atípicos, dependendo do contexto epidemiológico e da gravidade do quadro.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de falha terapêutica na pneumonia pediátrica?

A falha terapêutica é definida pela persistência de febre e/ou piora dos sintomas respiratórios (como aumento da taquipneia, surgimento de tiragem, hipoxemia) após 48 a 72 horas de tratamento antibiótico oral adequado.

Quando uma criança com pneumonia deve ser internada?

Critérios de internação incluem idade < 2 meses, hipoxemia (SatO2 < 92-94%), desconforto respiratório grave (tiragem, gemência), incapacidade de se alimentar, desidratação, falha terapêutica ambulatorial, ou condições sociais desfavoráveis.

Qual a conduta inicial em caso de falha terapêutica da pneumonia em crianças?

Em caso de falha terapêutica, a conduta mais adequada é a internação hospitalar para investigação diagnóstica (radiografia de tórax, exames laboratoriais) e início de antibioticoterapia por via parenteral, geralmente com uma cefalosporina de terceira geração.

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