AFAMCI - Hospital dos Plantadores de Cana (RJ) — Prova 2016
Pré-escolar, sexo masculino, 3 anos, é trazido ao posto de saúde com temperatura de 39°C e tosse persistente há 48 horas. Exame físico: FR: 45 irpm, sem tiragem e com discretos estertores crepitantes na base do hemitórax esquerdo; SO2: 95%. Neste momento, devem ser indicados:
Criança com pneumonia sem sinais de gravidade (FR 45, SO2 95%, sem tiragem) → Amoxicilina VO e tratamento ambulatorial.
Este pré-escolar apresenta sinais de pneumonia (febre, tosse, crepitantes) mas sem critérios de gravidade (FR não muito elevada para idade, SO2 >92%, sem tiragem). A conduta inicial é tratamento ambulatorial com amoxicilina oral, sem necessidade de radiografia de tórax de rotina.
A pneumonia comunitária é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em febre, tosse e sinais respiratórios. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para um bom prognóstico. Em crianças pré-escolares, a taquipneia é o sinal mais sensível de pneumonia. Para uma criança de 3 anos, uma FR de 45 irpm está no limite superior da normalidade (normalmente até 40 irpm), mas a ausência de tiragem e uma saturação de oxigênio de 95% indicam que não há sinais de gravidade que justifiquem internação imediata ou uso de antibióticos parenterais. A ausculta de crepitantes, embora sugestiva, não é suficiente para mudar a conduta se os outros parâmetros estiverem estáveis. A amoxicilina oral é o antibiótico de primeira escolha para pneumonia comunitária em crianças sem sinais de gravidade, cobrindo os patógenos bacterianos mais comuns, como Streptococcus pneumoniae. A radiografia de tórax não é recomendada de rotina nesses casos, pois não altera a conduta e expõe a criança à radiação desnecessária. O tratamento ambulatorial com acompanhamento próximo é a abordagem padrão.
Critérios de gravidade incluem taquipneia grave, tiragem subcostal ou intercostal, gemência, cianose, saturação de oxigênio <92%, recusa alimentar, letargia, convulsões, desidratação e comorbidades graves.
A dose usual de amoxicilina para pneumonia em crianças é de 80-90 mg/kg/dia, dividida em duas ou três doses, por um período de 5 a 7 dias, dependendo da resposta clínica.
A radiografia de tórax não é necessária para o diagnóstico de pneumonia em crianças com quadro clínico típico e sem sinais de gravidade. É indicada em casos de dúvida diagnóstica, falha terapêutica, suspeita de complicações ou quando há indicação de internação.
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