FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2021
Menina, 3 anos de idade, no pronto atendimento com tosse há 12 dias e febre há 4 dias. Mãe refere que a criança há 3 dias vem apresentando desconforto respiratório progressivo. No início, a mãe procurou o pronto atendimento devido à tosse, sendo orientada lavagem nasal e uso de sintomáticos. Paciente previamente hígida, com carteira vacinal em dia, sem internações prévias. Ao exame clínico: bom estado geral, corada, hidratada, acianótica, responsiva a comandos orais; temperatura axilar = 37ºC, frequência cardíaca = 117 batimentos/minuto; frequência respiratória = 35 incursões/minuto, saturação periférica de O₂ = 97%, em ar ambiente; tempo de enchimento capilar = 2 segundos; sem linfonodomegalias. Ausculta cardíaca: bulhas rítmicas, normofonéticas, sem sopros, pulsos centrais e periféricos cheios, rítmicos e simétricos. Ausculta pulmonar: murmúrios vesiculares presentes, bilateralmente, com estertores finos e broncofonia aumentada em base direita, sem tiragens. Abdome sem alterações, sem lesões de pele. De acordo com a principal hipótese diagnóstica (HD), sobre a indicação de radiografia de tórax, neste caso é correto afirmar que:
Pneumonia pediátrica em bom estado geral, sem hipoxemia, não exige rotineiramente radiografia de tórax.
Em crianças com suspeita de pneumonia que apresentam bom estado geral, sem sinais de gravidade (como hipoxemia, desconforto respiratório grave ou toxemia), a radiografia de tórax não é rotineiramente necessária para o diagnóstico e manejo ambulatorial, pois não altera significativamente o desfecho clínico.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de tosse, febre e taquipneia, que é o sinal mais sensível. A ausculta pulmonar pode revelar estertores finos, broncofonia ou diminuição do murmúrio vesicular, mas a ausência desses achados não exclui o diagnóstico. A radiografia de tórax, embora possa confirmar o infiltrado pulmonar, não é rotineiramente indicada para todas as crianças com suspeita de pneumonia. Sua indicação é reservada para situações específicas, como casos graves (com hipoxemia, desconforto respiratório importante, toxemia), falha terapêutica após 48-72 horas de antibiótico, suspeita de complicações (derrame pleural, pneumotórax, abscesso) ou quando o diagnóstico clínico é incerto. No cenário descrito na questão, a criança apresenta bom estado geral, está corada, hidratada, acianótica, responsiva e com saturação de O₂ de 97% em ar ambiente, sem tiragens. Embora haja achados na ausculta que sugerem pneumonia, a ausência de sinais de gravidade indica que a radiografia de tórax não é essencial para o manejo inicial, pois não alteraria a conduta (antibioticoterapia empírica) e exporia a criança à radiação desnecessária. A decisão de solicitar exames complementares deve sempre ponderar o benefício clínico versus os riscos e custos.
Sinais incluem tosse, febre, taquipneia, tiragens, gemência, batimento de asa de nariz e, à ausculta, estertores finos, broncofonia ou diminuição do murmúrio vesicular.
É indicada em casos graves (hipoxemia, desconforto respiratório importante, toxemia), falha terapêutica, suspeita de complicação (derrame pleural, pneumotórax) ou quando o diagnóstico é incerto.
Em casos leves a moderados, a radiografia não altera a conduta clínica (antibioticoterapia empírica) nem o prognóstico, e expõe a criança à radiação desnecessária.
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