SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2026
Homem de 75 anos com histórico de hipertensão e etilismo crônico encontra-se internado na enfermaria da cirurgia geral para tratamento de uma infecção de partes moles (erisipela). No segundo dia de internação, foi submetido à passagem de sonda nasoenteral devido à recusa alimentar. No 6o dia de internação, iniciou quadro de febre (38,9ºC), taquipneia e alteração do nível de consciência. A ausculta torácica revela estertores crepitantes difusos. Radiografia de tórax mostra infiltrado pulmonar difuso bilateral. Considerando o quadro clínico, assinale a alternativa correta:
Sonda nasoenteral → ↑ risco de pneumonia nosocomial por microaspiração e translocação bacteriana.
A pneumonia nosocomial ocorre após 48h de internação. Dispositivos como a SNE facilitam a colonização da orofaringe e a aspiração de conteúdo gástrico contaminado.
A pneumonia nosocomial é a segunda infecção hospitalar mais comum e a principal causa de morte por infecção adquirida no hospital. A fisiopatologia central é a microaspiração de bactérias que colonizam a orofaringe e o trato gástrico. Dispositivos invasivos, como sondas nasoenterais e tubos orotraqueais, rompem as barreiras naturais de defesa, permitindo que patógenos alcancem o trato respiratório inferior. O manejo envolve o reconhecimento precoce de sinais como febre e novos infiltrados pulmonares, seguido de coleta de culturas e início de antibioticoterapia empírica baseada na flora local e no tempo de internação. Medidas preventivas, como a elevação da cabeceira entre 30-45 graus, higiene oral com clorexidina e monitoramento do resíduo gástrico, são fundamentais para reduzir a incidência dessa complicação em pacientes vulneráveis, como idosos e etilistas crônicos.
A pneumonia nosocomial, ou hospitalar, é definida como aquela que ocorre 48 horas ou mais após a admissão hospitalar e que não estava incubada no momento da internação. É uma das principais causas de morbimortalidade em pacientes hospitalizados, especialmente em unidades de terapia intensiva. A fisiopatologia envolve geralmente a microaspiração de secreções da orofaringe colonizadas por patógenos hospitalares, muitas vezes multirresistentes. Diferencia-se da pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV), que ocorre especificamente após 48-72 horas de intubação orotraqueal. O diagnóstico baseia-se em novos infiltrados radiológicos associados a sinais clínicos de infecção, como febre, secreção purulenta e leucocitose.
A presença de uma sonda nasoenteral (SNE) predispõe à pneumonia por diversos mecanismos. Primeiramente, a sonda mantém o esfíncter esofágico inferior entreaberto, facilitando o refluxo gastroesofágico e a consequente microaspiração de conteúdo gástrico para a árvore traqueobrônquica. Além disso, a SNE serve como um substrato para a formação de biofilmes bacterianos e pode facilitar a translocação de bactérias do trato gastrointestinal para a orofaringe. A manipulação constante do dispositivo e a estase gástrica, comum em pacientes graves, potencializam esse risco, tornando a nutrição enteral um fator de risco independente para infecções respiratórias nosocomiais se não houver cuidados rigorosos com o posicionamento e volume.
A pneumonia nosocomial é classificada cronologicamente para guiar a antibioticoterapia empírica inicial. A pneumonia de início precoce ocorre nos primeiros 4 dias de internação e geralmente é causada por patógenos sensíveis aos antibióticos comuns, como Streptococcus pneumoniae ou Haemophilus influenzae, apresentando melhor prognóstico. Já a pneumonia de início tardio ocorre a partir do 5º dia de internação e está frequentemente associada a microrganismos multirresistentes (MDR), como Pseudomonas aeruginosa, Acinetobacter baumannii e MRSA. O prognóstico na pneumonia tardia é reservado devido à maior virulência dos agentes e à complexidade do manejo terapêutico, exigindo cobertura de amplo espectro imediata.
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