UEL - Hospital Universitário de Londrina (PR) — Prova 2022
Paciente sexo feminino, 10 meses de vida, busca atendimento em pronto-socorro devido à dificuldade respiratória notada pela mãe através do “afundamento das costelas”. Apresenta tosse úmida, rinorreia hialina, há 5 dias, e, há 1 dia, evoluiu com febre de 39,1 ◦C, dificuldade respiratória e diminuição da ingesta hídrica. Criança previamente hígida. Ao exame físico, apresenta-se em bom estado geral, com frequência cardíaca de 134 bpm, frequência respiratória de 40 irpm e saturação em ar ambiente de 95%, tiragem subcostal e ausculta respiratória sem particularidades. Foram realizados Raios X do tórax, conforme imagem a seguir.Em relação à conduta indicada nesse caso, assinale a alternativa correta.
Lactente com febre alta, dificuldade respiratória e baixa ingesta hídrica → internação e investigação (hemocultura).
Em lactentes, a presença de febre alta, sinais de desconforto respiratório (tiragem subcostal) e diminuição da ingesta hídrica são sinais de gravidade que indicam internação hospitalar. A coleta de hemocultura é fundamental para identificar o agente etiológico e guiar a antibioticoterapia empírica, especialmente em casos de suspeita de pneumonia bacteriana grave.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em lactentes. A apresentação clínica pode variar, mas a presença de febre, tosse, taquipneia e desconforto respiratório são achados comuns. Em lactentes, a avaliação da gravidade é crucial, pois eles podem descompensar rapidamente. Sinais como tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, gemência e saturação de oxigênio limítrofe ou baixa indicam um quadro mais grave. Neste caso, a criança de 10 meses apresenta febre alta (39,1°C), dificuldade respiratória com tiragem subcostal e diminuição da ingesta hídrica, mesmo com saturação de 95% e ausculta sem particularidades (o que pode ocorrer em pneumonias iniciais ou mais profundas). Esses achados, em conjunto, configuram um quadro de gravidade que exige internação hospitalar para monitoramento, suporte e investigação. A conduta de internação permite um acompanhamento mais próximo, hidratação adequada (seja oral ou intravenosa) e, fundamentalmente, a coleta de exames complementares como a hemocultura. A hemocultura é essencial para tentar isolar o agente bacteriano, o que pode direcionar a terapia antibiótica empírica inicial (geralmente ampicilina ou ceftriaxona, dependendo do perfil epidemiológico local) e otimizar o tratamento, reduzindo o risco de complicações e resistência antimicrobiana. A ausência de achados na ausculta não exclui pneumonia em lactentes, e a imagem do Raio X, embora não fornecida, provavelmente corroboraria o diagnóstico.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal ou intercostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, saturação de oxigênio abaixo de 92-94%, letargia, irritabilidade, recusa alimentar e desidratação. Febre alta persistente e baixa ingesta hídrica também são preocupantes.
A hemocultura é importante para identificar o agente etiológico bacteriano da pneumonia, permitindo a escolha de um antibiótico mais específico e eficaz. Em casos graves, onde a etiologia bacteriana é mais provável e a internação é necessária, a identificação do patógeno é crucial para otimizar o tratamento e evitar resistência.
O Raio X de tórax é útil para confirmar o diagnóstico de pneumonia, avaliar a extensão do acometimento pulmonar e identificar complicações como derrame pleural ou pneumotórax. No entanto, a decisão de internação e o início do tratamento são guiados principalmente pela avaliação clínica da gravidade.
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