HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020
Homem de 54 anos se queixa de tosse seca e dispneia ao andar 2 quarteirões no plano. Os sintomas iniciaram há 1 ano, e apresentaram piora lenta e progressiva. Nega outras queixas, doenças prévias, uso de medicamentos, tabagismo ou etilismo. É trabalhador rural e cuida dos animais da fazenda, preparando a ração e limpando os espaços das galinhas e dos cavalos. Faz queimadas na fazenda. Ao exame físico, PA: 120 X 70mmHg, FC 87bpm, FR 23ipm, SpO₂ 91%. A ausculta respiratória revela crepitações finas teleinspiratórias em ambas as bases dos hemitórax. O restante do exame clínico é normal. As dosagens de fator reumatoide, fator antinuclear, anti-Ro, anti-La, anca, anti-HIV, HBsAg e anti-HCV resultaram negativas. Espirometria: VEF1/CVF 0,8, CVF 55%, VEF1 60%. Tomografia do tórax: espessamento septal intralobular e interlobular, alguns focos de vidro fosco peribroncovascular e nódulos centrolobulares esparsos com predomínio nas porções superiores e médias de ambos os campos pulmonares. Os hilos pulmonares e o mediastino não apresentam anormalidades. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL para esse paciente.
Trabalhador rural com dispneia, crepitações, padrão restritivo e TC com vidro fosco/nódulos centrolobulares → Pneumonia de Hipersensibilidade Crônica.
A pneumonia de hipersensibilidade crônica é uma doença pulmonar intersticial causada pela inalação repetida de antígenos orgânicos. O histórico ocupacional (trabalhador rural, aves, feno) e os achados radiológicos (vidro fosco, nódulos centrolobulares, espessamento septal) são cruciais para o diagnóstico, especialmente com padrão espirométrico restritivo.
A pneumonia de hipersensibilidade (PH), também conhecida como alveolite alérgica extrínseca, é uma doença pulmonar intersticial causada pela inalação repetida de antígenos orgânicos ou químicos. Sua importância clínica reside na necessidade de identificação e remoção do agente causal para evitar progressão da doença e fibrose pulmonar irreversível. É uma condição subdiagnosticada, com prevalência variável dependendo da exposição ambiental e ocupacional. A fisiopatologia envolve uma resposta imune exagerada a antígenos inalados, resultando em inflamação e, em casos crônicos, fibrose. O diagnóstico é baseado na tríade de exposição a antígenos, sintomas respiratórios (tosse, dispneia), e achados radiológicos e funcionais pulmonares compatíveis. A tomografia de tórax de alta resolução (TCAR) é crucial, podendo mostrar padrões como vidro fosco, nódulos centrolobulares, espessamento septal e, em fases avançadas, fibrose. A espirometria tipicamente revela um padrão restritivo. O tratamento primário consiste na remoção da exposição ao antígeno. Corticosteroides sistêmicos são frequentemente utilizados para controlar a inflamação, especialmente em casos agudos ou subagudos. O prognóstico varia, sendo melhor com a cessação da exposição e tratamento precoce, mas pode evoluir para fibrose pulmonar progressiva e insuficiência respiratória em casos crônicos não tratados.
A TC de tórax pode revelar espessamento septal intralobular e interlobular, focos de vidro fosco peribroncovascular e nódulos centrolobulares esparsos, predominantemente em porções superiores e médias.
O histórico de exposição a antígenos orgânicos, como aves, feno, mofo ou produtos químicos, é fundamental para a suspeita diagnóstica, diferenciando-a de outras doenças pulmonares intersticiais.
A espirometria tipicamente mostra um padrão restritivo, com redução da Capacidade Vital Forçada (CVF) e do Volume Expiratório Forçado no primeiro segundo (VEF1), mantendo a relação VEF1/CVF normal ou aumentada.
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