HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023
Paciente com 45 anos de idade do sexo feminino e queixa de dispneia e tosse há 3 semanas, relata episódios 3 de pneumonias nos últimos 12 meses. Nega tabagismo ou história pessoal ou familiar de asma ou rinite. Desempregada há 2 anos, faz criação de aves para produção de ovos em sua residência. Ao exame físico foram encontrados discretos sibilos curtos, tipo "grasnido", na ausculta pulmonar. Foi solicitada uma espirometria que apresentou uma CVF e VEF1 com 70% do previsto. O diagnóstico mais provável é: (PRÁTICA PNEUMOLÓGICA SEGUNDA EDIÇÃO - CAPÍTULO 44, P. 524.)
Dispneia + tosse crônica + exposição a aves + pneumonias recorrentes → Pneumonia de hipersensibilidade.
A pneumonia de hipersensibilidade deve ser fortemente suspeitada em pacientes com sintomas respiratórios crônicos, episódios recorrentes de pneumonia e história de exposição a antígenos orgânicos, como penas e fezes de aves. A espirometria pode mostrar padrão restritivo ou misto.
A pneumonia de hipersensibilidade, também conhecida como alveolite alérgica extrínseca, é uma doença pulmonar intersticial causada por uma resposta imunológica exagerada a antígenos inalados. Sua prevalência varia, mas é importante reconhecê-la devido ao potencial de progressão para fibrose pulmonar irreversível se a exposição ao antígeno não for interrompida. A fisiopatologia envolve uma reação imunológica tipo III e IV, com formação de imunocomplexos e ativação de linfócitos T, levando à inflamação dos alvéolos e bronquíolos terminais. O diagnóstico baseia-se na tríade: história de exposição a antígenos (ex: aves, mofo), sintomas respiratórios (tosse, dispneia) e achados radiológicos/funcionais pulmonares. A biópsia pulmonar pode ser necessária em casos atípicos. O tratamento principal consiste na remoção da exposição ao antígeno. Corticosteroides sistêmicos podem ser usados para controlar a inflamação aguda e subaguda. O prognóstico depende da cronicidade da doença e da capacidade de evitar a reexposição, sendo crucial para prevenir a progressão para fibrose pulmonar e insuficiência respiratória.
Os sintomas incluem dispneia progressiva, tosse seca ou produtiva, fadiga, febre baixa e, em casos crônicos, perda de peso. A exposição ao antígeno geralmente precede o início ou a exacerbação dos sintomas.
A exposição a proteínas aviárias presentes em penas, fezes e poeira de aves pode desencadear uma resposta imunológica exagerada nos pulmões de indivíduos suscetíveis, levando a inflamação e, cronicamente, fibrose pulmonar.
A espirometria pode revelar um padrão restritivo (redução de CVF e VEF1 proporcionais, com VEF1/CVF normal ou aumentado) ou misto. É uma ferramenta importante, mas deve ser interpretada em conjunto com a história clínica e outros exames.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo