Pneumonia Grave Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento Hospitalar

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

E.Z.S., sexo masculino, 3 anos de idade, previamente saudável, é levado ao pronto-socorro por apresentar febre persistente há 3 dias além de adinamia e inapetência. A mãe relata que a criança iniciou coriza, obstrução nasal e dor de garganta há 5 dias e teve 2 episódios de vômitos nas últimas 24 h. No dia do atendimento, surgiu tosse pouco produtiva e piora da recusa alimentar. Realizou RT-PCR para SARS-COV2= negativo. Exame físico: estado geral comprometido, febril (38,5°C), frequência respiratória= 50 ipm; frequência cardíaca= 120 bpm; saturação O2 (ar ambiente) = 91%; presença de tiragem intercostal. Ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído em base de pulmão direito; sopro tubário audível em terço médio do pulmão direito; ausculta cardíaca: taquicardia leve; abdome levemente distendido, sem visceromegalias. Raio X de tórax mostra imagem de consolidação com broncogramas aéreos em 2/3 inferiores do pulmão direito.A conduta nesse caso é

Alternativas

  1. A) internar e iniciar penicilina cristalina.
  2. B) internar e iniciar ceftriaxona intramuscular.
  3. C) iniciar amoxicilina + clavulanato e reavaliar após 24 h.
  4. D) iniciar amoxicilina e orientar retorno para avaliação em 24 a 48 h.

Pérola Clínica

Criança <5a com pneumonia grave (hipoxemia, tiragem, taquipneia) = internação + Penicilina Cristalina (cobertura S. pneumoniae).

Resumo-Chave

O quadro clínico da criança (idade < 5 anos, febre, taquipneia, hipoxemia, tiragem intercostal, comprometimento do estado geral) e o RX de tórax com consolidação são indicativos de pneumonia grave. A internação é mandatória, e a Penicilina Cristalina é a primeira escolha para cobertura do principal agente etiológico, o Streptococcus pneumoniae.

Contexto Educacional

A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são cruciais. Em crianças, a pneumonia comunitária é frequentemente causada por Streptococcus pneumoniae, especialmente em faixas etárias mais jovens. O quadro clínico pode variar, mas sinais de gravidade como taquipneia, tiragem intercostal, batimento de asa de nariz, gemência e, principalmente, hipoxemia, indicam a necessidade de internação hospitalar. O caso apresentado descreve uma criança de 3 anos com febre persistente, comprometimento do estado geral, taquipneia (FR 50 ipm), hipoxemia (Sat O2 91%) e tiragem intercostal, além de achados radiológicos de consolidação com broncogramas aéreos. Esses são critérios claros para pneumonia grave e exigem tratamento hospitalar. A ausculta com murmúrio vesicular diminuído e sopro tubário reforça o diagnóstico de consolidação pulmonar. A conduta inicial para pneumonia grave em crianças internadas é a antibioticoterapia intravenosa. A Penicilina Cristalina é a droga de escolha para cobertura do Streptococcus pneumoniae, que é o patógeno bacteriano mais comum nessa faixa etária. A Ceftriaxona é uma alternativa, mas a Penicilina Cristalina é preferível quando a resistência à penicilina não é uma preocupação local e o paciente não tem alergia. O tratamento ambulatorial com amoxicilina ou ceftriaxona intramuscular não é adequado para casos graves com hipoxemia.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios de gravidade para internação de pneumonia em crianças?

Critérios de gravidade incluem idade < 2 meses, hipoxemia (Sat O2 < 92% em ar ambiente), desconforto respiratório grave (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, gemência), incapacidade de beber, vômitos persistentes, convulsões, letargia, desnutrição grave e falha terapêutica ambulatorial.

Qual é o agente etiológico mais comum da pneumonia comunitária em crianças e qual o tratamento de primeira linha?

O Streptococcus pneumoniae é o agente etiológico bacteriano mais comum. Para pneumonia grave em crianças internadas, a Penicilina Cristalina intravenosa é o tratamento de primeira linha, devido à sua eficácia e espectro adequado.

Por que a amoxicilina não seria a conduta inicial adequada neste caso de pneumonia pediátrica?

A amoxicilina é uma boa opção para pneumonia não grave em regime ambulatorial. No entanto, neste caso, a criança apresenta sinais de gravidade como hipoxemia (Sat O2 91%) e tiragem intercostal, que exigem internação e antibioticoterapia intravenosa, como a Penicilina Cristalina.

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