INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2014
Uma criança com três anos de idade, desnutrida, com internação prévia há dez dias, é levada a atendimento na Emergência Médica. A criança apresenta há dois dias quadro de febre não aferida, tosse e dificuldade para respirar. A mãe refere que o paciente não está conseguindo ingerir líquidos e que vomitou várias vezes nas últimas 24h. Ao exame físico, o médico observou que a criança apresenta regular estado geral, febre de 38,5°C, desidratação leve, taquidispneia, com tiragem intercostal, presença de estertores crepitantes e diminuição do murmúrio vesicular em hemitórax esquerdo; frequência cardíaca = 130 bpm, frequência respiratória = 64 irpm e saturação de oxigênio = 91%. A radiografia de tórax é mostrada abaixo: O agente etiológico e o tratamento da pneumonia apresentada pela criança são:
Pneumonia grave + desnutrição + internação recente → Suspeitar de S. aureus → Oxacilina + Ceftriaxona.
Em crianças com sinais de gravidade, desnutrição ou histórico de internação recente, a cobertura para Staphylococcus aureus é mandatória devido ao risco de complicações necrotizantes e empiema.
A pneumonia estafilocócica em pediatria é uma condição de alta morbidade. O Staphylococcus aureus produz toxinas (como a leucocidina de Panton-Valentine) que causam destruição tecidual intensa, levando à pneumonia necrotizante. Em pacientes desnutridos, a imunidade celular e humoral está comprometida, facilitando a disseminação bacteriana e a gravidade do quadro. O manejo inicial exige estabilização hemodinâmica, suporte ventilatório e antibioticoterapia intravenosa imediata. A escolha de Oxacilina associada a uma cefalosporina de terceira geração (como Ceftriaxona) é o padrão para cobrir os principais agentes em pacientes com histórico de internação prévia, onde a flora hospitalar ou colonização por germes mais agressivos deve ser considerada.
A suspeita deve ser alta em casos de pneumonia de evolução rápida, presença de complicações radiológicas como pneumatoceles, derrame pleural ou abscesso, e em pacientes com fatores de risco como desnutrição grave, internação hospitalar recente ou infecções de pele concomitantes. O quadro clínico costuma ser mais grave, com toxemia importante e sinais de insuficiência respiratória aguda.
A associação visa ampliar o espectro de cobertura. A Oxacilina é o tratamento de escolha para o Staphylococcus aureus sensível à meticilina (MSSA), enquanto a Ceftriaxona (uma cefalosporina de 3ª geração) oferece cobertura para patógenos Gram-negativos e para o Streptococcus pneumoniae com sensibilidade reduzida à penicilina, garantindo uma abordagem empírica robusta em quadros graves.
Os achados típicos incluem infiltrados broncopneumônicos que podem evoluir rapidamente para áreas de necrose, formação de pneumatoceles (cistos de paredes finas), abscessos pulmonares e, frequentemente, derrame pleural ou empiema. A progressão radiológica em poucas horas é uma característica marcante desta etiologia.
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