FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2022
Menino, 2 anos de idade, apresenta febre há 2 dias. Há 1 dia, queixa-se de dor, que a mãe considera que seja abdominal; aceita líquidos, mas recusa as refeições. Tem diurese clara e não evacuou hoje. Ao exame, está prostrado, hidratado, com FC = 110 bpm, FR = 50 mrm, saturação de oxigênio de 92 %. Tem tiragem intercostal e de fúrcula, ausculta pulmonar com estertores finos difusos e diminuição de murmúrio vesicular em base direita. O fígado e o baço são palpáveis nos rebordos costais. Há cicatrizes, manchas róseas, brancas e pigmentadas em torno da boca e entre nariz e boca. A mãe refere que havia muitas crostas nessa região e as retirou com óleo, como foi orientado na consulta médica. Na radiografia de tórax, há focos de consolidação em lobos superiores direito e esquerdo e linha de derrame pleural à direita. A melhor conduta para o quadro apresentado é:
Criança com pneumonia grave, derrame pleural e lesões de pele → suspeitar S. aureus → internação + Oxacilina.
A presença de pneumonia grave bilateral com derrame pleural, associada a lesões cutâneas sugestivas de impetigo, levanta forte suspeita de infecção por Staphylococcus aureus. Nesses casos, a cobertura empírica com oxacilina é fundamental, além da internação e suporte respiratório.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e a identificação precoce de sinais de gravidade é crucial. Em crianças pequenas, a apresentação pode ser atípica, com sintomas gastrointestinais como dor abdominal, além dos respiratórios clássicos. A presença de prostração, taquipneia, tiragem e hipoxemia são indicadores de doença grave que demandam internação hospitalar e suporte intensivo. A radiografia de tórax é fundamental para confirmar o diagnóstico e avaliar complicações como derrame pleural ou consolidações multifocais. A etiologia da pneumonia grave em crianças pode variar, mas a presença de lesões cutâneas como impetigo, como no caso, deve levantar a suspeita de infecção por Staphylococcus aureus. Este patógeno pode causar pneumonias mais destrutivas, com formação de abscessos, pneumatoceles e derrame pleural parapneumônico ou empiema. A fisiopatologia envolve a virulência da bactéria e a resposta inflamatória do hospedeiro, levando a um quadro sistêmico e pulmonar mais agressivo. O tratamento da pneumonia grave em crianças requer internação, oxigenoterapia e antibioticoterapia empírica adequada. Em casos com suspeita de S. aureus, a oxacilina (ou vancomicina se houver suspeita de MRSA) é a escolha. A amoxicilina, embora eficaz para pneumonias comunitárias leves a moderadas, é insuficiente para quadros graves e não cobre S. aureus. A avaliação para drenagem do derrame pleural, guiada por ultrassom, é uma etapa importante no manejo de derrames significativos ou complicados, mas a antibioticoterapia adequada é a prioridade inicial.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem, cianose, saturação de oxigênio <92%, prostração, recusa alimentar e alterações hemodinâmicas. A presença de derrame pleural ou consolidações multifocais na radiografia também indica gravidade.
A suspeita de pneumonia por Staphylococcus aureus deve surgir em casos de pneumonia grave, necrotizante, com derrame pleural extenso, pneumatoceles ou abscesso pulmonar. Lesões cutâneas como impetigo ou furunculose concomitantes aumentam a probabilidade.
A conduta inicial envolve internação hospitalar, oxigenoterapia para hipoxemia, hidratação e antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo S. aureus (ex: oxacilina) e outros patógenos comuns. A avaliação para drenagem do derrame pleural é subsequente.
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