HFA - Hospital das Forças Armadas (DF) — Prova 2019
Um lactente de 5 meses de vida iniciou febre alta, tosse seca e dificuldade respiratória há dois dias, sendo atendido na emergência. A mãe refere que o quadro atual foi precedido por sintomas gripais por três dias. História pregressa e gestacional: nascido a termo sem intercorrências, com peso = 3,5 kg e E = 50 cm, porém vem apresentando impetigo de repetição. Ao exame físico: paciente irritado, desnutrido e hipocorado (2+/4+), com lesões bolhosas purulentas em tronco e pernas. Aparelho respiratório: esforço respiratório intenso, tiragens intercostais e subcostal, macicez no terço inferior no hemitórax esquerdo e MV abolido ipsilateral, além de crepitações difusas, FR = 69 irpm e SaO₂ = 92%. Aparelho cardiovascular: enchimento capilar lentificado, à ausculta, bulhas normofonéticas, sem sopros, e FC = 160 bpm. Abdome: timpânico e sem visceromegalias. TAX = 39°C. Acerca desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Lactente desnutrido com impetigo recorrente, pneumonia grave, derrame pleural e febre alta → suspeitar de pneumonia estafilocócica.
O quadro de pneumonia grave com derrame pleural em um lactente desnutrido e com histórico de impetigo de repetição é altamente sugestivo de pneumonia estafilocócica. Staphylococcus aureus é um patógeno comum em infecções cutâneas e pode causar pneumonias graves com complicações pleurais, especialmente em pacientes imunocomprometidos ou com fatores de risco como desnutrição.
A pneumonia estafilocócica é uma forma grave de pneumonia bacteriana, mais comum em lactentes e crianças pequenas, especialmente naquelas com fatores de risco como desnutrição, imunodeficiência ou infecções cutâneas prévias por Staphylococcus aureus. Este patógeno é conhecido por causar infecções destrutivas, frequentemente associadas a complicações pleurais como derrame pleural e empiema. O quadro clínico pode ser fulminante, com febre alta, tosse, dificuldade respiratória progressiva e sinais de toxicidade. A presença de lesões cutâneas como impetigo bolhoso ou celulite deve levantar a suspeita. No exame físico, podem ser encontrados sinais de consolidação e derrame pleural, como macicez e murmúrio vesicular abolido. A radiografia de tórax geralmente revela consolidação e/ou derrame pleural. O tratamento requer internação hospitalar, suporte intensivo e antibioticoterapia intravenosa. A escolha do antibiótico deve cobrir Staphylococcus aureus, sendo a oxacilina a primeira escolha para cepas sensíveis à meticilina (MSSA). Em áreas com alta prevalência de S. aureus resistente à meticilina (MRSA) ou em casos graves, a vancomicina pode ser considerada. A drenagem do derrame pleural ou empiema é frequentemente necessária.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, esforço respiratório intenso (tiragens, batimento de asa de nariz), cianose, hipoxemia, alteração do nível de consciência, desidratação e complicações como derrame pleural.
O impetigo de repetição, especialmente o bolhoso, é frequentemente causado por Staphylococcus aureus. A presença de lesões cutâneas ativas ou história de infecções estafilocócicas prévias aumenta a suspeita de pneumonia por este agente.
A conduta inicial envolve internação, suporte respiratório (oxigenoterapia), antibioticoterapia empírica com cobertura para Staphylococcus aureus (ex: oxacilina ou vancomicina se MRSA) e avaliação para drenagem do derrame pleural/empiema.
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