SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2018
RR.G.R., uma criança de 7 meses de idade, foi levada pelos pais a um pronto atendimento infantil com quadro de tosse e secreção nasal há cerca de 10 dias, com o desenvolvimento de febre, nos últimos 2 dias, e respiração rápida. Ao exame físico, foram observados uma orofaringe com hiperemia discreta, linfonodos cervicais normais, otoscopia normal bilateral, ausculta pulmonar com estertores crepitantes à esquerda, palpação abdominal normal, ausência de sinais de irritação meníngea e inexistência de alterações dermatológicas. A frequência respiratória foi de 52 incursões por minuto. Não havia presença de tiragem subcostal, nem de insuficiência ventilatória, nem de cianose. A paciente consegue alimentar-se ao seio materno com pouca dificuldade. A saturação periférica de oxigênio é de 96%. A radiografia de tórax demonstra área de consolidação em lobo inferior esquerdo e derrame pleural de cerca de 1,5 cm. Considerando quadro clínico, julgue o item a seguir. Considerando-se a ausência de sinais de gravidade, a conduta mais adequada é a liberação ambulatorial da criança para antibioticoterapia domiciliar, não havendo necessidade de internação ou de investigações adicionais.
Pneumonia pediátrica com derrame pleural ou taquipneia (FR >50 em <1a) = internação e investigação, mesmo sem outros sinais de gravidade.
A presença de derrame pleural, mesmo que pequeno (1,5 cm), em uma criança com pneumonia bacteriana é um sinal de complicação que exige internação hospitalar e investigação adicional, como toracocentese, e não apenas tratamento ambulatorial. A taquipneia (FR 52 ipm para 7 meses) também é um sinal de alerta que indica a necessidade de internação.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce e a estratificação de risco são cruciais para um manejo adequado. A etiologia varia com a idade, sendo viral mais comum em lactentes e bacteriana (principalmente Streptococcus pneumoniae) em crianças maiores. A fisiopatologia envolve a inflamação do parênquima pulmonar, levando à consolidação e, em alguns casos, a complicações como derrame pleural, empiema ou abscesso pulmonar. O diagnóstico é baseado na clínica (febre, tosse, taquipneia, desconforto respiratório) e confirmado por radiografia de tórax. A presença de derrame pleural indica uma pneumonia complicada e requer atenção especial, pois pode evoluir para empiema se não for adequadamente manejado. A conduta inicial em pneumonia pediátrica depende da avaliação da gravidade. Crianças com sinais de gravidade, como taquipneia acentuada, desconforto respiratório, hipoxemia ou complicações como derrame pleural, devem ser internadas para antibioticoterapia intravenosa e suporte. A liberação ambulatorial é reservada para casos leves, sem sinais de gravidade ou complicações. A toracocentese é indicada para derrames pleurais significativos ou com sinais de infecção para análise do líquido e, se necessário, drenagem.
Sinais de gravidade incluem taquipneia, tiragem subcostal, gemência, cianose, incapacidade de se alimentar, alteração do nível de consciência, saturação de oxigênio baixa e presença de complicações como derrame pleural.
Sim, a presença de qualquer derrame pleural associado à pneumonia em crianças é uma complicação que geralmente indica a necessidade de internação para monitoramento, antibioticoterapia intravenosa e possível toracocentese diagnóstica/terapêutica.
Em lactentes de 2 a 12 meses, uma frequência respiratória maior ou igual a 50 incursões por minuto é considerada taquipneia, um importante sinal de alerta na avaliação de pneumonia e indicativo de gravidade.
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