USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Lactente, 6 meses, chega no pronto atendimento com queixa de quadro febril há 5 dias. Inicialmente apresentou temperatura de 38-38,5º ( a cada 6 horas, que cedia com antitérmico, sem prostração. A febre passou a ocorrer a cada 8 horas e há 1 dia criança está com tosse seca e rinorreia hialina; sem outras queixas. Vacinação em dia, nega contato com pessoas doentes. Ao exame físico: temperatura axilar = 37,8º C; peso = 7 kg (escore-z O); comprimento = 61 cm (escore-z-2). Sem alterações cardíacas ou na ausculta pulmonar. Exames complementares: hemograma com hemoglobina = 9,9 g/dl; 27.000/μL glóbulos brancos (11 % bastões, 55% segmentados e 35% linfócitos) e proteína C reativa de 12 mg/dl (VR = até 0,5 mg/dl). Abaixo está o exame radiológico de tórax. Frente a esse caso, qual conduta a ser tomada?RADIOGRAFIA DE TÓRAX
Pneumonia bacteriana em lactente sem sinais de gravidade → Amoxicilina oral ambulatorial.
O lactente apresenta sinais de infecção bacteriana (febre prolongada, leucocitose com desvio à esquerda, PCR elevada) e sintomas respiratórios, sugerindo pneumonia. No entanto, a ausência de prostração, desconforto respiratório grave ou outras complicações permite o tratamento ambulatorial com amoxicilina oral, que é a primeira escolha para pneumonia comunitária em crianças sem indicação de internação.
A pneumonia comunitária é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em lactentes. O diagnóstico é baseado na clínica (febre, tosse, taquipneia, desconforto respiratório) e, frequentemente, confirmado por radiografia de tórax. A etiologia mais comum em crianças é viral, mas a bacteriana, principalmente por Streptococcus pneumoniae, é uma preocupação devido ao risco de complicações. A avaliação da gravidade é crucial para decidir a conduta. Lactentes sem sinais de gravidade, como prostração, desconforto respiratório importante, cianose ou comorbidades, podem ser tratados ambulatorialmente. Exames complementares como hemograma (leucocitose com desvio à esquerda) e PCR elevada podem reforçar a suspeita de etiologia bacteriana, mas não são determinantes isoladamente. O tratamento de escolha para pneumonia bacteriana comunitária em crianças sem indicação de internação é a amoxicilina oral, em dose adequada e por tempo suficiente (geralmente 10 dias). A associação com clavulanato é reservada para casos de suspeita de germes produtores de beta-lactamase ou falha terapêutica. Oseltamivir é para influenza e azitromicina para atípicos, não sendo a primeira linha para pneumonia bacteriana comum. A internação e o tratamento endovenoso são indicados para casos graves ou com falha do tratamento oral.
Critérios de internação incluem desconforto respiratório grave (tiragem, batimento de asa de nariz, gemência), cianose, prostração, recusa alimentar, desidratação, falha terapêutica ambulatorial, idade < 2 meses ou comorbidades significativas.
A amoxicilina é a primeira escolha devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae, o principal agente etiológico da pneumonia bacteriana comunitária em crianças, além de ter boa tolerância e baixo custo.
Leucocitose com desvio à esquerda (aumento de bastões) e PCR elevada sugerem etiologia bacteriana, auxiliando na decisão de iniciar antibioticoterapia, embora a clínica e a radiografia sejam fundamentais.
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