Pneumonia Pediátrica Grave: Critérios de Internação e Tratamento

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2020

Enunciado

Pré-escolar de 4 anos compareceu ao pronto socorro pediátrico acompanhado de sua mãe. Ela relatou que, há 4 dias, o menor iniciou com sintomas gripais, evoluindo há 48 horas com piora da tosse produtiva, febre e recusa alimentar. À ausculta pulmonar, apresentava -se com diminuição dos murmúrios vesiculares à direita, FR 55 irpm e tiragem subcostal. Diante do caso exposto, a conduta de primeira escolha seria

Alternativas

  1. A) internação hospitalar e iniciar antibioticoterapia com penicilina cristalina.
  2. B) recomendações gerais e iniciar antibioticoterapia com amoxicilina ambulatorialmente.
  3. C) internação hospitalar e iniciar antibioticoterapia com ceftriaxaxona.
  4. D) recomendações gerais e iniciar antibioticoterapia com azitromicina ambulatorialmente.

Pérola Clínica

Pneumonia em pré-escolar com FR > 40 irpm + tiragem subcostal + recusa alimentar = sinais de gravidade → Internação e Penicilina Cristalina.

Resumo-Chave

Em crianças pré-escolares, a presença de taquipneia (FR > 40 irpm para 2-5 anos), tiragem subcostal e recusa alimentar são critérios de gravidade para pneumonia, indicando a necessidade de internação hospitalar e início de antibioticoterapia parenteral, como a penicilina cristalina.

Contexto Educacional

A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos globalmente. O reconhecimento precoce dos sinais de gravidade é crucial para um manejo adequado e para a redução da mortalidade infantil. Residentes devem estar familiarizados com os critérios de taquipneia por faixa etária e outros sinais de desconforto respiratório. No caso apresentado, a criança de 4 anos com FR de 55 irpm (taquipneia para a idade), tiragem subcostal e recusa alimentar preenche critérios de pneumonia grave. Nesses casos, a internação hospitalar é imperativa para monitorização e tratamento. A antibioticoterapia empírica de primeira escolha para pneumonia bacteriana grave em crianças hospitalizadas, sem fatores de risco para germes atípicos ou resistentes, é a penicilina cristalina, devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae. O tratamento ambulatorial com amoxicilina é reservado para casos de pneumonia não grave. A ceftriaxona é uma alternativa para casos graves ou quando há suspeita de resistência à penicilina. A azitromicina é utilizada para cobertura de germes atípicos, geralmente em associação ou em casos específicos. A correta avaliação da gravidade e a escolha do antibiótico são pilares no manejo da pneumonia pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios de gravidade para pneumonia em crianças que indicam internação hospitalar?

Os critérios de gravidade incluem taquipneia (FR > 60 < 2 meses; > 50 2-11 meses; > 40 1-5 anos), tiragem subcostal, batimento de asas nasais, gemência, cianose, recusa alimentar, letargia, convulsões e desidratação. A presença de qualquer um desses sinais justifica a internação.

Por que a penicilina cristalina é uma opção de primeira escolha para pneumonia grave em crianças hospitalizadas?

A penicilina cristalina é eficaz contra o Streptococcus pneumoniae, o principal agente etiológico da pneumonia bacteriana comunitária em crianças, e pode ser administrada por via parenteral, garantindo níveis séricos adequados em pacientes graves que não toleram a via oral.

Como diferenciar uma pneumonia viral de uma bacteriana em crianças?

A diferenciação pode ser desafiadora. Pneumonias virais frequentemente têm pródromos mais arrastados, sibilância e menos sinais de toxicidade. Bacterianas tendem a ter início mais súbito, febre alta, sinais de consolidação e maior gravidade. Exames como PCR e hemograma podem auxiliar, mas a decisão terapêutica muitas vezes é empírica.

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