Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Considere o caso abaixo e a imagem da radiografia apresentados. Lia, 2 anos de idade, é levada ao pronto-socorro com queixa materna de febre (temperatura axilar medida entre 38,2 °C e 38,8 °e tosse há dois dias. A criança não apresenta nenhum antecedente patológico significativo, nunca precisou de atendimento de emergência e possui esquema vacinal adequado para a idade. No exame físico, encontra-se febril (38,6 °C), frequência cardíaca = 110 batimentos por minuto, frequência respiratória = 55 movimentos respiratórios por minuto, saturação de oxigênio de 96%, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, ausculta pulmonar com roncos difusos e estertores crepitantes no hemitórax direito. Não existe nenhuma outra alteração no exame físico. A radiografia realizada é apresentada a seguir. A melhor conduta para o caso é/são:
Criança com pneumonia sem sinais de gravidade → Antibioticoterapia domiciliar com Amoxicilina.
A criança apresenta pneumonia comunitária sem sinais de gravidade (sem desconforto respiratório grave, saturação >90%, sem desidratação, sem comorbidades). Nesses casos, a antibioticoterapia oral domiciliar (geralmente amoxicilina) é a conduta padrão, com orientação para retorno em caso de piora ou não melhora.
A pneumonia comunitária (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico precoce e o manejo adequado são fundamentais. A etiologia mais comum em crianças é viral, mas a etiologia bacteriana, principalmente por *Streptococcus pneumoniae*, é responsável pelos casos mais graves e que requerem antibioticoterapia. O diagnóstico de pneumonia é baseado na clínica (febre, tosse, taquipneia, crepitantes) e, em alguns casos, na radiografia de tórax, que pode mostrar infiltrados ou consolidações. A avaliação da gravidade é crucial para decidir o local de tratamento. Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, cianose, saturação de oxigênio < 90%, prostração, recusa alimentar e comorbidades. A criança do caso, apesar da taquipneia (FR 55 para 2 anos é elevada), não apresenta outros sinais de gravidade, como saturação baixa ou desconforto respiratório grave. A conduta para pneumonia comunitária em crianças sem sinais de gravidade é a antibioticoterapia oral domiciliar, sendo a amoxicilina a droga de escolha. É essencial orientar os pais sobre os sinais de alerta para retorno ao hospital, como piora clínica ou persistência da febre após 48-72 horas de tratamento. A fisioterapia respiratória não é uma conduta primária para atelectasia em pneumonia aguda, e a internação em UTI é reservada para casos graves com insuficiência respiratória iminente.
Sinais de gravidade incluem desconforto respiratório grave (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz), cianose, saturação de oxigênio < 90%, recusa alimentar, desidratação, letargia, comorbidades graves e falha do tratamento ambulatorial.
A amoxicilina é o antibiótico de primeira escolha para pneumonia comunitária em crianças sem sinais de gravidade, devido à sua eficácia contra Streptococcus pneumoniae, o principal agente etiológico.
A criança deve retornar ao hospital se apresentar sinais de alerta como piora do desconforto respiratório, cianose, febre persistente por mais de 48-72 horas após o início do antibiótico, prostração, recusa alimentar ou convulsões.
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