UFAL/HUPAA - Hospital Universitário Prof. Alberto Antunes (AL) — Prova 2018
Emanuelle, 23 meses de vida, começou a apresentar febre intermitente (39°C), tosse seca e inapetência, há cerca de 5 dias. Sua genitora relatava situação vacinal atualizada e negava contactantes com quadro semelhante. Avaliada em serviço de emergência, notou-se a presença de estertores finos em hemitórax direito, frequência respiratória de 60 ipm, sem tiragens, e radiografia de tórax com hipotransparência em base pulmonar direita. Negou história pregressa de quadro de cansaço ou uso de medicamentos domiciliares, sendo descrita como “saudável” até o desencadeamento do quadro atual. Qual o diagnóstico mais provável e a melhor conduta a ser tomada?
Criança > 2m com pneumonia sem sinais de gravidade → Amoxicilina oral, reavaliar 48-72h.
A criança apresenta sinais de pneumonia (febre, tosse, estertores, infiltrado na RX) sem sinais de gravidade (sem tiragens, FR 60 ipm para 23 meses é taquipneia, mas não grave isoladamente). A conduta inicial para pneumonia comunitária não grave em crianças vacinadas é amoxicilina oral e reavaliação.
A pneumonia comunitária (PC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças menores de cinco anos globalmente. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de tosse, febre e taquipneia, que é o sinal mais sensível. A ausculta pulmonar pode revelar estertores finos ou crepitantes. A radiografia de tórax, embora não seja sempre necessária para o diagnóstico de PC não grave, pode confirmar o infiltrado pulmonar. A avaliação da gravidade é crucial para definir a conduta. Sinais de gravidade incluem tiragens subcostais, batimento de asa de nariz, cianose, gemência, incapacidade de beber, vômitos persistentes, convulsões e letargia. A frequência respiratória elevada (taquipneia) é um critério diagnóstico, mas a ausência de outros sinais de desconforto respiratório grave indica que a criança pode ser tratada ambulatorialmente. Para crianças entre 12 meses e 5 anos, taquipneia é definida por FR > 40 ipm. O tratamento da PC em crianças vacinadas e sem sinais de gravidade é feito com amoxicilina oral, na dose de 80-90 mg/kg/dia, por 5 a 7 dias. A reavaliação clínica em 48-72 horas é fundamental para monitorar a resposta ao tratamento e identificar falha terapêutica, que pode indicar a necessidade de internação, troca de antibiótico ou investigação de complicações. A vacinação contra Streptococcus pneumoniae (pneumococo) e Haemophilus influenzae tipo b (Hib) reduziu significativamente a incidência de PC bacteriana grave.
Sinais de gravidade incluem tiragens subcostais ou intercostais, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, letargia, recusa alimentar, desidratação, e saturação de oxigênio abaixo de 92%. A taquipneia isolada, sem outros sinais, geralmente indica pneumonia não grave.
A dose padrão de amoxicilina para pneumonia comunitária não grave em crianças é de 80-90 mg/kg/dia, dividida em duas ou três doses, por 5 a 7 dias. Para a questão, 50mg/kg/dia é uma dose aceitável para pneumonia não grave.
A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada para todos os casos de pneumonia não grave em crianças. É reservada para casos com apresentação atípica, falha terapêutica, suspeita de complicações, ou para diferenciar de outras condições, como asma ou corpo estranho.
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