PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2020
Adolescente, 10 anos de idade, apresenta febre, tosse, cefaleia e dor de garganta há uma semana. Há quatro dias iniciou dispneia e foi prescrito amoxacilina, 90mg/kg/dia. Retorna hoje à UBS, mantendo febre (38,3ºC), tosse seca frequente, mialgia, e dispneia. Nega vômitos. Usando corretamente a amoxacilina há 72 horas. Vacinas em dia. Ao exame físico, apresenta-se corado, hidratado, FR=32irpm, SatO₂= 96%. Sons respiratórios diminuídos nas bases, com presença de crepitações finas bilaterais. Restante do exame físico sem alterações. A conduta MAIS ADEQUADA é:
Criança com pneumonia e falha à amoxicilina após 72h: considerar patógenos atípicos e associar azitromicina.
Em crianças com pneumonia que não respondem à amoxicilina após 72 horas de uso correto, deve-se suspeitar de falha terapêutica, que pode ser devido a patógenos atípicos (como Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae). Nesses casos, a associação de um macrolídeo, como a azitromicina, é a conduta mais adequada.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O tratamento empírico inicial para PAC em crianças, especialmente em ambulatório, é frequentemente a amoxicilina, que cobre os principais patógenos bacterianos como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae não tipável. No entanto, a falha terapêutica, definida como a ausência de melhora clínica após 48-72 horas de uso correto do antibiótico, exige uma reavaliação. Nesses casos, deve-se considerar a possibilidade de resistência bacteriana, um diagnóstico alternativo ou, mais comumente em crianças maiores, a infecção por patógenos atípicos, como Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae, que são causas importantes de pneumonia em escolares e adolescentes e não são sensíveis à amoxicilina. A conduta mais adequada em caso de falha à amoxicilina é associar um macrolídeo, como a azitromicina, que tem excelente cobertura para esses patógenos atípicos. A troca por outro beta-lactâmico (como amoxicilina-clavulanato ou cefuroxime) seria mais indicada se a suspeita fosse de resistência bacteriana a beta-lactâmicos ou infecção por bactérias produtoras de beta-lactamase, mas não abordaria os patógenos atípicos.
A falha terapêutica é considerada quando não há melhora clínica (febre persistente, piora da dispneia, tosse) após 48-72 horas de tratamento antibiótico adequado.
Além de resistência bacteriana aos beta-lactâmicos, deve-se considerar patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, que não são cobertos pela amoxicilina.
A azitromicina, um macrolídeo, é eficaz contra Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, sendo bem tolerada e com posologia conveniente para uso pediátrico.
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