SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2025
Uma criança de 3 anos é trazida ao pronto-socorro com tosse persistente, febre e dificuldade respiratória. O exame físico revela estertores crepitantes, tiragem intercostal e 55 movimentos respiratórios por minuto. Aferida a temperatura axilar, mostrando 38,8ºC. Qual é a principal hipótese diagnóstica?
Febre + Tosse + Taquipneia (FR > 40 em > 1 ano) → Pneumonia Comunitária.
A taquipneia é o sinal clínico mais sensível e específico para o diagnóstico de pneumonia em crianças, superando a ausculta pulmonar na triagem inicial.
A pneumonia comunitária continua sendo uma das principais causas de morbimortalidade infantil mundial. O diagnóstico baseia-se na tríade de febre, tosse e sinais de desconforto respiratório, sendo a taquipneia o marcador mais fidedigno. A fisiopatologia envolve a invasão do parênquima pulmonar por patógenos, levando a exsudato alveolar que prejudica a troca gasosa e gera os estertores crepitantes à ausculta. Na prática clínica, a diferenciação entre quadros virais (como bronquiolite) e bacterianos é essencial. A bronquiolite geralmente ocorre em menores de 2 anos e apresenta sibilância proeminente, enquanto a pneumonia bacteriana cursa com febre mais alta, toxemia e sinais localizados. O manejo adequado foca na antibioticoterapia empírica precoce e no suporte ventilatório se necessário.
A Organização Mundial da Saúde define taquipneia baseada na idade: em menores de 2 meses, FR ≥ 60 mpm; de 2 a 11 meses, FR ≥ 50 mpm; e de 1 a 5 anos, FR ≥ 40 mpm. A presença de taquipneia em uma criança com tosse ou dificuldade respiratória é o principal indicador clínico de pneumonia, possuindo alto valor preditivo positivo. É fundamental que a contagem seja feita com a criança calma e por um minuto completo para evitar erros de interpretação.
A radiografia de tórax não deve ser rotina em casos ambulatoriais de pneumonia comunitária com apresentação típica. Ela está indicada em pacientes que necessitam de hospitalização, em casos de dúvida diagnóstica, na suspeita de complicações como derrame pleural ou abscesso, ou quando não há resposta satisfatória à antibioticoterapia inicial após 48-72 horas. O diagnóstico clínico soberano permite o início imediato do tratamento, reduzindo custos e exposição à radiação.
Para crianças com pneumonia comunitária típica (geralmente causada por Streptococcus pneumoniae) tratadas ambulatorialmente, a amoxicilina oral é a primeira escolha devido à sua eficácia contra o pneumococo e boa penetração tecidual. A dose recomendada varia de 50 a 80 mg/kg/dia, dividida em duas ou três doses. Em casos de alergia ou suspeita de germes atípicos, macrolídeos podem ser considerados, mas não são a primeira linha para o quadro bacteriano clássico.
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