Pneumonia Pediátrica: Complicações e Manejo

UFSCar - Hospital Universitário de São Carlos (SP) — Prova 2019

Enunciado

Menina de 1 ano foi internada com diagnóstico de pneumonia, evidenciada ao raio-x em lobo superior direito. Na prescrição, foi iniciada penicilina cristalina, em dose adequada ao peso, mas, ao 4° dia de antibiótico, a criança mantinha febre de 38,5°C. Na reavaliação do exame físico, foi encontrado, à ausculta pulmonar, diminuição do murmúrio vesicular nos 2 terços inferiores do hemitórax direito, com broncofonia aumentada no terço superior do mesmo. A hipótese e a conduta mais adequadas são:

Alternativas

  1. A) Pneumonia complicada com derrame pleural. Trocar a penicilina cristalina por outro antibiótico;
  2. B) Pneumonia resistente à penicilina cristalina. Trocar a penicilina cristalina por outro antibiótico.
  3. C) Pneumonia complicada com pneumatocele. Trocar a penicilina cristalina por outro antibiótico.
  4. D) Pneumonia resistente à penicilina cristalina. Por enquanto, manter penicilina cristalina. 
  5. E) Pneumonia complicada com derrame pleural. Por enquanto, manter penicilina cristalina.

Pérola Clínica

Febre persistente + MV ↓ + broncofonia em pneumonia pediátrica → suspeitar derrame pleural. Manter ATB se etiologia comum.

Resumo-Chave

A persistência da febre após 48-72h de antibiótico em pneumonia pediátrica, associada a achados de exame físico como diminuição do murmúrio vesicular e broncofonia, sugere complicação como derrame pleural. A penicilina cristalina ainda é eficaz para as causas mais comuns de pneumonia bacteriana em crianças.

Contexto Educacional

A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e sua apresentação clínica pode variar. Embora a maioria dos casos responda bem à antibioticoterapia inicial, é crucial estar atento a sinais de complicação, especialmente em pacientes que não apresentam melhora após alguns dias de tratamento. A persistência da febre após 48-72 horas de antibioticoterapia adequada, como a penicilina cristalina para pneumonia bacteriana comunitária, deve levantar a suspeita de complicações. O exame físico detalhado, com achados como diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e broncofonia, são fortes indicativos de derrame pleural parapneumônico, uma das complicações mais comuns. Nesses casos, a conduta inicial não é necessariamente trocar o antibiótico, mas sim investigar a complicação. A penicilina cristalina ainda é eficaz contra os principais agentes etiológicos da pneumonia bacteriana em crianças (Streptococcus pneumoniae). A confirmação do derrame pleural por ultrassonografia de tórax e a avaliação da necessidade de drenagem são os próximos passos, enquanto se mantém o antibiótico que cobre o patógeno mais provável.

Perguntas Frequentes

Quais sinais clínicos sugerem derrame pleural em pneumonia pediátrica?

Sinais como febre persistente, dor torácica, diminuição do murmúrio vesicular, macicez à percussão e broncofonia acima do derrame são indicativos de derrame pleural em crianças com pneumonia.

Quando devo suspeitar de falha terapêutica em pneumonia pediátrica?

A falha terapêutica deve ser considerada se houver piora clínica, persistência da febre após 48-72 horas de antibiótico adequado, ou surgimento de novas complicações, exigindo reavaliação diagnóstica.

Qual a conduta inicial para um derrame pleural parapneumônico em criança?

A conduta inicial envolve a manutenção do antibiótico se este cobrir os patógenos comuns e a realização de exames de imagem (ultrassonografia de tórax) para confirmar o derrame e avaliar a necessidade de drenagem.

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