SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2025
Uma escolar de 7 anos foi admitida em enfermaria de hospital pediátrico com o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade (PAC) à direita, sendo iniciada ampicilina endovenosa. De acordo com o relato da mãe da criança, a febre e a tosse surgiram há 4 dias. Como a menor permaneceu com tiragem subcostal discreta e picos febris diários após 72 horas da admissão, o pediatra optou por realizar nova radiografia de tórax (RX), a qual evidenciou imagem sugestiva de derrame pleural ipsilateral à PAC da admissão. O cirurgião avaliou o quadro e realizou drenagem pleural fechada. Foi decidido por manter o mesmo antibiótico. Após 6 dias da drenagem, a criança permanecia com a mesma curva térmica (picos acima de 38,5ºC). Para melhor avaliar a doença pulmonar dessa criança, foi realizada uma tomografia computadorizada (TC) do tórax com contraste (parte das imagens da TC estão disponíveis abaixo). Menor encontra-se dependente de suporte de O2 desde o primeiro dia de internamento, por meio de máscara de Venturi (FiO2 de 28%).Nesse momento, tomando por base a evolução da menor em conjunto com as imagens da TC e de acordo com as atuais orientações científicas da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) sobre este tema, analise as assertivas abaixo:I. A presença de condensação e derrame pleural parapneumônico em pulmão direito são os principais achados da TC de tórax, sendo estes os que definem a paciente em questão como possível portadora de pneumonia necrosante.II. Substituir a Ampicilina por Ceftriaxone ou Ceftazidima, ambas de forma endovenosa, é a melhor opção terapêutica para essa criança no momento atual. Essa nova proposta terá uma duração média de 10-14 dias.III. A evolução clínica da menor nos faz suspeitar de infecção concomitante por Mycoplasma pneumoniae, no entanto o uso de Levofloxacino não está autorizado em crianças menores de 12 anos e, portanto, a única opção terapêutica para essa ituação será o uso de macrolídeo (Azitromicina, por exemplo).IV. O crescente aumento de cepas de pneumococos, que têm como mecanismo de resistência a presença de beta lactamase, fez com que a prescrição de antibióticos de amplo espectro aumentasse na última década.Assinale a alternativa CORRETA.
Resistência do Pneumococo à penicilina ocorre por alteração de PBP, não por beta-lactamase.
A falha terapêutica na pneumonia pediátrica exige exclusão de complicações e compreensão de que a resistência do principal patógeno não envolve enzimas inativadoras.
O manejo da Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) em pediatria é desafiador quando surgem complicações como o derrame pleural parapneumônico. A persistência da febre após 72 horas de antibioticoterapia adequada (como a ampicilina para cobrir Pneumococo sensível) deve alertar para coleções pleurais ou resistência bacteriana. É fundamental entender que o S. pneumoniae é o principal agente e que seu perfil de resistência no Brasil ainda permite o uso de doses otimizadas de penicilinas na maioria dos casos. A troca para cefalosporinas de terceira geração ou o uso de macrolídeos deve ser baseada em evidências de complicações ou suspeita de germes atípicos (como Mycoplasma), mas sempre respeitando a farmacologia e os mecanismos de resistência específicos de cada patógeno.
Diferente de outras bactérias, o Streptococcus pneumoniae não produz beta-lactamase. Sua resistência aos beta-lactâmicos ocorre por mutações nos genes que codificam as Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBPs), reduzindo a afinidade do antibiótico pelo seu alvo na parede celular bacteriana.
A pneumonia necrosante é caracterizada pela perda da arquitetura pulmonar normal com formação de múltiplas pequenas cavidades preenchidas por ar ou fluido, evidenciadas na TC de tórax como áreas de hipocaptação do parênquima. Não é definida apenas pela presença de derrame pleural ou condensação simples.
Embora as quinolonas tenham restrições históricas em crianças devido ao risco teórico de lesão em cartilagem de crescimento, o Levofloxacino é autorizado e recomendado por sociedades como a SBP e a AAP em situações específicas, como falha terapêutica, alergias graves a outras classes ou patógenos multirresistentes, onde o benefício supera os riscos.
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