FBHC - Fundação de Beneficência Hospital de Cirurgia (SE) — Prova 2020
Pré-escolar de três anos é levado à emergência com quadro de febre e tosse há três dias. Exame físico: t. axilar 38,5ºC, regular estado geral, FR: 58 irpm e tiragem subcostal. Radiografia de tórax: broncopneumonia em lobo inferior esquerdo com derrame pleural laminar ipsilateral. O diagnóstico e a conduta adequados são, respectivamente:
Pneumonia pediátrica + derrame pleural → suspeita bacteriana, internar, ATB parenteral, exames complementares.
Em pré-escolares, a presença de febre, taquipneia, tiragem e, especialmente, derrame pleural associado à pneumonia na radiografia de tórax, sugere fortemente etiologia bacteriana. Nesses casos, a conduta é internação hospitalar para investigação (hemograma, hemocultura) e início de antibioticoterapia parenteral.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em pré-escolares. A etiologia pode ser viral ou bacteriana, mas a presença de sinais de gravidade e complicações, como o derrame pleural, aumenta significativamente a probabilidade de infecção bacteriana. O reconhecimento precoce e a conduta adequada são cruciais para um bom prognóstico. O quadro clínico de febre, tosse, taquipneia e tiragem subcostal em um pré-escolar é altamente sugestivo de pneumonia. A radiografia de tórax confirmando a broncopneumonia e, mais importante, a presença de derrame pleural laminar ipsilateral, classifica o caso como uma pneumonia complicada. Nesses cenários, a etiologia bacteriana é a mais provável, e os agentes mais comuns são Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae e Staphylococcus aureus. A conduta para pneumonia bacteriana complicada com derrame pleural em crianças é a internação hospitalar. É fundamental coletar exames complementares como hemograma e hemocultura antes de iniciar a antibioticoterapia parenteral de amplo espectro, que deve cobrir os patógenos mais prováveis. A drenagem do derrame pleural pode ser necessária se for volumoso ou apresentar características de empiema, visando a resolução da infecção e a melhora da função pulmonar.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal ou intercostal, batimento de asa de nariz, cianose, gemência, saturação de oxigênio < 92%, recusa alimentar, letargia, desidratação e, como no caso, a presença de derrame pleural.
A antibioticoterapia parenteral é indicada devido à maior gravidade da infecção e à necessidade de atingir concentrações adequadas do antibiótico no sítio da infecção (pulmão e espaço pleural). O derrame pleural sugere uma infecção bacteriana mais invasiva e potencialmente complicada.
Além da radiografia de tórax, são importantes hemograma (para avaliar leucocitose e desvio à esquerda), hemocultura (para identificar o agente etiológico e guiar o tratamento), e, se houver indicação de drenagem, análise do líquido pleural (bioquímica, citologia, cultura).
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