Pneumonia Bacteriana Pediátrica: Agentes e Tratamento

SUS-SP - Sistema Único de Saúde de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

Um menino de quatro anos de idade foi levado ao pronto-atendimento pediátrico, com quadro de tosse e febre (38.5 ⁰C) há um dia. o pai relatou resfriado há quinze dias, com piora há três dias. Exame físico: BEG; descorado +/4+; anictérico; acianótico; afebril; com taquipneia leve; FR de 35 irpm; FC de 110 bpm; PA de 100 x 60 mmHg; sat. de O₂ de 97%, em ar ambiente; MV +, diminuído em base E; e broncofonia normal. RX com condensação em base esquerda. Exames com discreta leucocitose, com desvio à esquerda, e PCR 15 mg/dl. Com base nesse caso hipotético, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A resistência antimicrobiana ao principal agente etiológico ocorre devido às alterações das proteínas ligadoras de penicilina.
  2. B) A azitromicina é a primeira opção terapêutica no tratamento ambulatorial.
  3. C) No tratamento ambulatorial, o paciente deve ser reavaliado somente se apresentar sinais de gravidade.
  4. D) O Streptococcus pyogenes é o principal agente etiológico.
  5. E) A ultrassonografia do tórax deve ser solicitada antes do início do tratamento.

Pérola Clínica

Pneumonia bacteriana pediátrica: S. pneumoniae é principal agente, resistência por PBP. Amoxicilina é 1ª escolha ambulatorial.

Resumo-Chave

Em crianças, o Streptococcus pneumoniae é o principal agente etiológico da pneumonia bacteriana. Sua resistência aos antimicrobianos, especialmente beta-lactâmicos, ocorre principalmente por alterações nas proteínas ligadoras de penicilina (PBP), que diminuem a afinidade do antibiótico pelo sítio de ação. A amoxicilina é a primeira escolha para tratamento ambulatorial.

Contexto Educacional

A pneumonia bacteriana é uma infecção respiratória grave em crianças, sendo o Streptococcus pneumoniae o agente etiológico mais comum, responsável pela maioria dos casos. A resistência antimicrobiana do S. pneumoniae aos beta-lactâmicos, como a penicilina e a amoxicilina, é um desafio crescente e ocorre principalmente devido a mutações nas Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBP), que diminuem a afinidade do antibiótico pelo sítio de ação na parede celular bacteriana. O diagnóstico da pneumonia é clínico, com febre, tosse, taquipneia e achados no exame físico como diminuição do murmúrio vesicular e broncofonia. A radiografia de tórax confirma a consolidação. Para o tratamento ambulatorial em crianças sem sinais de gravidade, a amoxicilina é a primeira escolha, com doses elevadas para superar a resistência intermediária do S. pneumoniae. A azitromicina é reservada para suspeita de agentes atípicos ou alergia a penicilinas. É fundamental reavaliar o paciente ambulatorial em 48-72 horas para verificar a resposta ao tratamento. A ultrassonografia do tórax não é indicada antes do início do tratamento, mas pode ser útil para investigar complicações como derrame pleural ou empiema. O Streptococcus pyogenes é uma causa menos comum de pneumonia em crianças, geralmente associada a complicações como empiema.

Perguntas Frequentes

Qual o principal agente etiológico da pneumonia bacteriana em crianças e qual o mecanismo de sua resistência aos antibióticos?

O principal agente etiológico é o Streptococcus pneumoniae. Sua resistência aos antimicrobianos, especialmente aos beta-lactâmicos como a penicilina e amoxicilina, ocorre principalmente devido a alterações nas Proteínas Ligadoras de Penicilina (PBP), que reduzem a afinidade do antibiótico.

Qual a primeira opção terapêutica para pneumonia bacteriana ambulatorial em crianças?

A amoxicilina é a primeira opção terapêutica para o tratamento ambulatorial da pneumonia bacteriana em crianças, devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae e bom perfil de segurança. A dose deve ser ajustada para cobrir cepas com sensibilidade intermediária.

Quando a ultrassonografia do tórax deve ser solicitada em casos de pneumonia pediátrica?

A ultrassonografia do tórax não é um exame de rotina para o diagnóstico inicial de pneumonia. Ela é útil para avaliar complicações como derrame pleural, empiema ou abscesso pulmonar, ou para guiar procedimentos como a toracocentese, especialmente quando o raio-X é inconclusivo.

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