SMS Curitiba - Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba (PR) — Prova 2025
Paciente feminina, 45 anos, procura o pronto-socorro com queixa de tosse seca persistente há 5 dias, que não melhorou com tratamento sintomático. Ela nega dispneia e febre, e apresenta apenas discreta sibilância. Os sinais vitais estão estáveis. Foi realizada uma tomografia de tórax que mostrou discreto padrão de vidro fosco no pulmão esquerdo. Após a coleta de exames para pesquisa de antígenos virais e bacterianos, os resultados foram obtidos e apresentados a seguir. Com base no quadro clínico e nos achados laboratoriais, qual é a melhor opção terapêutica para este caso? | Agente pesquisado | Resultado | | ---------------------------- | ------------- | | Influenza A/H1 | Não detectado | | Influenza A/H3 | Não detectado | | Influenza A/H1-2009 | Não detectado | | Influenza B | Não detectado | | Vírus da parainfluenza 1 | Não detectado | | Vírus da parainfluenza 2 | Não detectado | | Vírus da parainfluenza 3 | Não detectado | | Vírus da parainfluenza 4 | Não detectado | | Vírus sincicial respiratório | Não detectado | | **Bactérias** | | | *Bordetella pertussis* | Não detectado | | *Bordetella parapertussis* | Não detectado | | *Chlamydia pneumoniae* | Não detectado | | *Mycoplasma pneumoniae* | **Detectado** | Valor de referência: Não detectado.
Mycoplasma pneumoniae = Pneumonia atípica + Tosse seca + Tratamento com Macrolídeos (Azitromicina).
O Mycoplasma pneumoniae é um patógeno intracelular sem parede celular, o que o torna intrinsecamente resistente a beta-lactâmicos; macrolídeos são a primeira escolha.
O Mycoplasma pneumoniae é uma das causas mais comuns de pneumonia adquirida na comunidade (PAC), especialmente em crianças em idade escolar e adultos jovens. Caracteriza-se clinicamente por um início insidioso, tosse seca persistente, cefaleia e mialgia, configurando o quadro de 'pneumonia atípica'. O diagnóstico laboratorial evoluiu de testes de aglutininas a frio para métodos mais sensíveis como a PCR (reação em cadeia da polimerase) em amostras respiratórias. A compreensão de que este agente não possui parede celular é fundamental para a prática clínica, pois direciona a escolha antibiótica para fármacos que inibem a síntese proteica (macrolídeos e tetraciclinas) ou a replicação do DNA (quinolonas), evitando o erro comum de utilizar penicilinas.
O Mycoplasma pneumoniae é um organismo que carece de parede celular de peptideoglicano. Como os antibióticos beta-lactâmicos (como penicilinas e cefalosporinas) agem inibindo a síntese da parede celular, eles não possuem alvo terapêutico neste patógeno, resultando em resistência intrínseca.
Diferente da pneumonia lobar típica, o Mycoplasma frequentemente apresenta infiltrados intersticiais, padrão de vidro fosco ou opacidades reticulonodulares difusas na tomografia de tórax, muitas vezes desproporcionais à leveza do exame físico (dissociação clínico-radiológica).
A primeira linha de tratamento consiste no uso de macrolídeos, sendo a azitromicina a mais comum devido à sua posologia simplificada e perfil de tolerabilidade. Alternativas incluem tetraciclinas (como doxiciclina) ou fluoroquinolonas respiratórias em adultos.
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