Pneumonia por Mycoplasma: Diagnóstico e Tratamento

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Um adolescente com 14 anos de idade apresenta quadro de tosse prolongada, diurna e noturna, há 10 dias, com piora nos últimos 2 dias. Febre baixa nos últimos 4 dias, associada a dor de cabeça, cansaço e perda de apetite, além de manchas na pele. A radiografia de tórax revela a presença de broncopneumonia em bases, mais à esquerda. O médico descreve a presença de eritema multiforme. O principal agente e a conduta a ser adotada são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) Mycoplasma pneumoniae - fluoroquinolona.
  2. B) Mycoplasma pneumoniae - macrolídeo.
  3. C) Mycoplasma hominis - cefalosporina de segunda geração.
  4. D) Mycoplasma hominis - tetraciclina.
  5. E) Mycoplasma hominis - fluoroquinolona.

Pérola Clínica

Pneumonia atípica + Eritema multiforme + Adolescente = Mycoplasma pneumoniae.

Resumo-Chave

O Mycoplasma pneumoniae causa pneumonia atípica com sintomas constitucionais e manifestações extrapulmonares, como o eritema multiforme, sendo tratado com macrolídeos.

Contexto Educacional

A pneumonia atípica é frequentemente causada por Mycoplasma pneumoniae, especialmente em crianças em idade escolar e adultos jovens. O quadro clínico é marcado por início subagudo, tosse seca persistente, cefaleia e febre baixa. A presença de eritema multiforme é um marcador clínico clássico que direciona o diagnóstico. O tratamento de escolha na pediatria e adolescência são os macrolídeos (azitromicina ou claritromicina), devido ao seu perfil de segurança e eficácia contra patógenos intracelulares e sem parede celular. Em adultos, as fluoroquinolonas respiratórias também são uma opção, mas os macrolídeos permanecem como primeira linha em muitos protocolos.

Perguntas Frequentes

Por que o Mycoplasma pneumoniae é resistente a penicilinas?

O Mycoplasma pneumoniae é uma bactéria singular que não possui parede celular de peptideoglicano. Como os antibióticos beta-lactâmicos, como as penicilinas e cefalosporinas, agem especificamente inibindo a síntese da parede celular bacteriana, eles são inerentemente ineficazes contra esse patógeno. O tratamento requer antibióticos que atuem em outros alvos celulares, como a síntese proteica ou a replicação do DNA. Os macrolídeos (azitromicina, claritromicina), as tetraciclinas (doxiciclina) e as fluoroquinolonas respiratórias são as classes eficazes, pois penetram na célula e agem nos ribossomos ou nas topoisomerases bacterianas.

Quais as principais manifestações extrapulmonares do Mycoplasma?

Além do quadro respiratório de pneumonia atípica, o Mycoplasma pneumoniae é conhecido por desencadear diversas manifestações extrapulmonares de base imunológica. As mais clássicas incluem o eritema multiforme (lesões em alvo na pele), a anemia hemolítica autoimune por anticorpos frios (criaglutininas), e complicações neurológicas como meningoencefalite, mielite transversa e síndrome de Guillain-Barré. Também podem ocorrer artralgias, mialgias, miocardite e pericardite. Essas manifestações podem surgir durante ou logo após a fase aguda da infecção respiratória e são fundamentais para o diagnóstico diferencial em pacientes jovens com quadros sistêmicos.

Qual o achado radiológico típico da pneumonia atípica?

Diferente da pneumonia lobar clássica, geralmente causada pelo Streptococcus pneumoniae, a pneumonia por Mycoplasma apresenta um padrão radiológico de infiltrado intersticial, reticulonodular ou broncopneumonia irregular, frequentemente acometendo as bases pulmonares. Uma característica marcante é a dissociação clínico-radiológica: o exame de imagem muitas vezes revela um comprometimento muito mais extenso e grave do que o sugerido pelo exame físico do paciente, que pode apresentar poucos estertores ou sinais de consolidação. O quadro clínico costuma ser de início subagudo, com tosse seca persistente que se torna produtiva, cefaleia e mal-estar geral.

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