Pneumonia Atípica Pediátrica: Diagnóstico e Tratamento com Azitromicina

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2017

Enunciado

Menor com 6 anos de idade, apresenta há 3 dias quadro de dor de garganta, adinamia, febre baixa e tosse seca. Os sintomas começaram três semanas após iniciar o ano escolar. A mãe da criança procurou o serviço ambulatorial relatando que outros colegas da escola da criança apresentam o mesmo quadro, Informa cartão de vacina adequado para a faixa etária e nega patologias prévias. Foi informada que provavelmente se trata de uma virose e foi orientada a usar antitérmico e aumentar a oferta de líquidos. Após uma semana de início do quadro houve agravamento da tosse, com aumento da frequência e intensidade, com secreção hialina e persistência da adinamia e do quadro febril. A mãe da criança procurou novamente o médico, que observou no exame físico ausculta respiratória com presença de crepitação. Foi solicitado Rx de tórax, sendo observado infiltrado pulmonar difuso. Foi orientada a usar amoxicilina 50 mg/kg/dia 8/8h. No quinto dia de uso da medicação, o menor persistia com quadro de tosse intensa e foi observado presença de rash em face e membros superiores. De acordo com a evolução do menor e o provável diagnóstico, qual a melhor conduta medicamentosa para essa criança?

Alternativas

  1. A) Manter amoxicilina e associar prednisolona.
  2. B) Manter amoxicilina e associar hixizine.
  3. C) Suspender amoxicilina e entrar com azitromicina.
  4. D) Suspender amoxicilina e entrar com ceftriaxona.

Pérola Clínica

Pneumonia atípica (tosse persistente, infiltrado difuso, falha beta-lactâmico, rash) → Tratar com macrolídeo (Azitromicina).

Resumo-Chave

O quadro clínico (início insidioso, tosse persistente, infiltrado difuso no RX, falha terapêutica com amoxicilina e rash cutâneo) é altamente sugestivo de pneumonia atípica, provavelmente causada por Mycoplasma pneumoniae. Nesses casos, a amoxicilina é ineficaz, e a terapia de escolha são os macrolídeos, como a azitromicina.

Contexto Educacional

A pneumonia comunitária em crianças é uma condição comum, e a escolha do antibiótico empírico depende da idade do paciente e do perfil epidemiológico local. Em crianças em idade escolar, embora as pneumonias virais sejam frequentes, as bacterianas também ocorrem, e a distinção entre agentes típicos e atípicos é crucial para o sucesso terapêutico. O caso clínico descreve um quadro de pneumonia com características sugestivas de etiologia atípica: início insidioso, tosse seca que se agrava, infiltrado pulmonar difuso no RX e, crucialmente, falha terapêutica com amoxicilina. A amoxicilina é eficaz contra agentes típicos como Streptococcus pneumoniae, mas não contra Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae, que não possuem parede celular. A presença de rash cutâneo no quinto dia de amoxicilina reforça a suspeita de Mycoplasma pneumoniae, que frequentemente cursa com manifestações extrapulmonares. Diante da falha da amoxicilina e da forte suspeita de pneumonia atípica, a conduta correta é suspender o beta-lactâmico e iniciar um macrolídeo, como a azitromicina. Os macrolídeos são a primeira escolha para o tratamento de pneumonias atípicas, cobrindo os agentes mais comuns e levando à melhora clínica.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais agentes etiológicos da pneumonia atípica em crianças?

Os principais agentes são Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, que causam quadros com início mais insidioso, tosse seca persistente e, por vezes, manifestações extrapulmonares.

Por que a amoxicilina não é eficaz no tratamento da pneumonia atípica?

A amoxicilina atua na parede celular bacteriana, que está ausente em Mycoplasma e Chlamydia. Portanto, esses agentes são intrinsecamente resistentes aos beta-lactâmicos, necessitando de antibióticos que atuem em outros alvos, como os macrolídeos.

Quais manifestações clínicas podem sugerir pneumonia por Mycoplasma pneumoniae?

Além da tosse persistente e infiltrado pulmonar difuso, Mycoplasma pneumoniae pode causar manifestações extrapulmonares como rash cutâneo (eritema multiforme, urticária), mialgias, artralgias, cefaleia e anemia hemolítica.

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