UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2019
Menino de 10 anos, previamente hígido, apresentou cefaleia, mal-estar, febre discreta, dor de garganta e tosse seca há uma semana. Atualmente a tosse persiste, está produtiva e refere cansaço. Exame físico: BEG, afebril. FR = 36 irpm, FC = 80 bpm. Saturação de O₂ em ar ambiente = 94%. Tórax: submacicez em base direita, ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído em base direita. Hemograma: Hb = 13 g/dl; GB = 10.000/mm³ (segmentados 50%, linfócitos 30%, monócitos 15%, basófilos 2%, eosinófilos 3%). Proteína C reativa = 0,5 mg/dl. RX de tórax. A conduta mais indicada é:
Criança > 5 anos com pneumonia atípica (sintomas arrastados, PCR normal) → pensar em Mycoplasma/Chlamydia → Macrolídeo.
O quadro clínico de tosse persistente, sintomas arrastados, febre discreta, ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído e PCR normal em uma criança de 10 anos sugere pneumonia atípica, provavelmente causada por Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae. Nesses casos, o tratamento de escolha é um macrolídeo.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, e sua etiologia varia com a idade. Em crianças maiores de 5 anos e adolescentes, além dos patógenos bacterianos típicos (como Streptococcus pneumoniae), os agentes atípicos, principalmente Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, são causas frequentes de pneumonia, muitas vezes apresentando um quadro clínico mais insidioso e arrastado. O diagnóstico da pneumonia atípica é baseado na suspeita clínica, que inclui sintomas como tosse persistente (inicialmente seca, depois produtiva), febre discreta, mal-estar e cefaleia. Os exames laboratoriais, como o hemograma e a Proteína C Reativa (PCR), geralmente não mostram grandes alterações, o que ajuda a diferenciá-la da pneumonia bacteriana típica. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados intersticiais ou broncopneumônicos. O tratamento da pneumonia atípica é feito com antibióticos da classe dos macrolídeos, como a azitromicina, claritromicina ou eritromicina. Esses medicamentos são eficazes contra Mycoplasma e Chlamydia, que não possuem parede celular e, portanto, não respondem aos beta-lactâmicos (como amoxicilina ou penicilina). A escolha correta do antibiótico é fundamental para a resolução do quadro e prevenção de complicações.
A pneumonia atípica geralmente apresenta início insidioso, sintomas arrastados (tosse seca que pode se tornar produtiva), febre baixa, cefaleia, mialgia e, por vezes, achados radiológicos mais exuberantes que os clínicos. A PCR costuma ser normal ou pouco elevada.
Os macrolídeos (como azitromicina, claritromicina) são eficazes contra os principais agentes etiológicos da pneumonia atípica, como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, que não possuem parede celular e, portanto, não respondem aos antibióticos beta-lactâmicos.
A pneumonia bacteriana típica (Streptococcus pneumoniae) geralmente tem início súbito, febre alta, calafrios, tosse produtiva e leucocitose com desvio à esquerda, além de PCR elevada. A atípica tem início insidioso, febre baixa, tosse seca e PCR normal.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo