UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2018
Criança em idade escolar vem à consulta médica por apresentar cefaleia, mal-estar, tosse e febre de início há 3 dias. Ao exame físico, apresenta-se corada, eutrófica, bom estado geral, temperatura de 37,8 °C, FC = 100 bpm, FR = 24 ipm, saturação de oxigênio no oxímetro de pulso = 95% e, na ausculta pulmonar, estertores em bases e sibilos expiratórios. A história mórbida pregressa e a história familiar são negativas para doenças respiratórias. Levando em consideração os dados apresentados, o diagnóstico mais provável e a conduta correta, no caso, são:
Criança escolar com pneumonia + sibilos + bom estado geral → suspeitar pneumonia atípica (macrolídeos).
A presença de tosse, febre, mal-estar, estertores e sibilos em uma criança em idade escolar, com bom estado geral e sem histórico de doenças respiratórias, é sugestiva de pneumonia atípica, frequentemente causada por Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydophila pneumoniae. Nesses casos, os macrolídeos são a escolha de tratamento empírico.
A pneumonia é uma infecção respiratória aguda que afeta os pulmões, sendo uma causa importante de morbimortalidade em crianças. Em crianças em idade escolar, a pneumonia atípica, causada principalmente por Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae, é uma etiologia comum. Diferentemente das pneumonias bacterianas típicas, que frequentemente apresentam início abrupto e consolidação lobar, as atípicas tendem a ter um início mais insidioso, com sintomas como tosse seca persistente, cefaleia, mal-estar e febre baixa, e achados pulmonares que podem incluir sibilos e estertores finos. O diagnóstico da pneumonia atípica é primariamente clínico e epidemiológico, embora a radiografia de tórax possa mostrar infiltrados intersticiais ou broncopneumônicos. A ausculta com sibilos, como descrito no caso, é um achado que pode ocorrer em pneumonias atípicas, diferenciando-as de outras causas de sibilância. O bom estado geral da criança, apesar dos sintomas, também é um indicativo. O tratamento empírico de escolha para pneumonia atípica em crianças são os macrolídeos (azitromicina, claritromicina, eritromicina), devido à sua eficácia contra Mycoplasma e Chlamydophila. Os beta-lactâmicos não são eficazes contra esses patógenos. A resposta ao tratamento geralmente é boa, com melhora clínica em poucos dias. É importante considerar a epidemiologia local e os padrões de resistência ao escolher o antibiótico.
Os principais agentes são Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. Vírus respiratórios também podem causar quadros semelhantes.
Os agentes causadores de pneumonia atípica (Mycoplasma e Chlamydophila) não possuem parede celular ou têm uma parede celular diferente, tornando-os resistentes aos antibióticos beta-lactâmicos, que agem inibindo a síntese da parede celular.
Geralmente, um início mais insidioso, tosse persistente e seca, sintomas extratorácicos (cefaleia, mialgia), e achados pulmonares que podem incluir sibilos, além de estertores, são sugestivos. O bom estado geral do paciente, apesar dos sintomas, também é um indicativo.
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