Pneumonia Atípica em Adolescentes: Diagnóstico e Tratamento

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2022

Enunciado

Adolescente hígida, pré-púbere, com diagnóstico de asma intermitente, é levada ao ambulatório de pediatria com queixa de tosse produtiva há 15 dias, precedida de sinais de resfriado. Não teve febre nem exacerbação aguda da asma neste período. Está em bom estado geral, mas não consegue dormir direito devido à tosse. Ausculta pulmonar: estertores nas bases e raros sibilos. Radiografia de tórax: opacidades alvéolo intersticiais nos lobos inferiores, médio e língula. O agente etiológico mais provável e o tratamento a ser considerado para esta adolescente são, respectivamente:

Alternativas

  1. A) rinovírus – sintomáticos.
  2. B) Chlamydia trachomatis – clindamicina.
  3. C) Chlamydia trachomatis – claritromicina.
  4. D) Mycoplasma pneumoniae – azitromicina.
  5. E) Mycoplasma pneumoniae – cloranfenicol.

Pérola Clínica

Tosse prolongada + RX intersticial + bom estado geral em adolescente → Mycoplasma pneumoniae → Azitromicina.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse prolongada, ausência de febre alta, bom estado geral e achados radiográficos de opacidades alvéolo-intersticiais em adolescente são altamente sugestivos de pneumonia atípica, sendo o Mycoplasma pneumoniae o agente mais comum nessa faixa etária. O tratamento de escolha para Mycoplasma é com macrolídeos, como a azitromicina.

Contexto Educacional

A pneumonia atípica é uma forma comum de infecção respiratória em crianças maiores e adolescentes, diferenciando-se da pneumonia bacteriana típica por sua apresentação clínica e radiológica. O Mycoplasma pneumoniae é o agente etiológico mais frequente nesse grupo etário, responsável por quadros de tosse prolongada, muitas vezes sem febre alta, e com um bom estado geral do paciente, apesar dos sintomas respiratórios. O diagnóstico é sugerido pela clínica e pelos achados radiográficos, que tipicamente mostram um padrão de infiltrado intersticial ou alvéolo-intersticial, diferentemente dos infiltrados lobares ou segmentares da pneumonia bacteriana clássica. A ausculta pulmonar pode ser variada, com estertores e, por vezes, sibilos, especialmente em pacientes com histórico de asma, como no caso apresentado. O tratamento de escolha para pneumonia por Mycoplasma pneumoniae são os macrolídeos, como a azitromicina, claritromicina ou eritromicina, devido à ausência de parede celular no microrganismo, que o torna resistente aos antibióticos beta-lactâmicos. A azitromicina é frequentemente preferida pela sua posologia conveniente (dose única diária) e bom perfil de segurança, sendo eficaz na resolução dos sintomas e na erradicação do patógeno.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que sugerem pneumonia atípica em adolescentes?

A pneumonia atípica em adolescentes frequentemente se manifesta com tosse prolongada (seca ou produtiva), febre baixa ou ausente, cefaleia, mialgia e um bom estado geral, contrastando com a pneumonia bacteriana típica.

Qual o padrão radiográfico comum na pneumonia por Mycoplasma pneumoniae?

A radiografia de tórax na pneumonia por Mycoplasma pneumoniae tipicamente revela um padrão intersticial ou alvéolo-intersticial, com opacidades reticulares ou nodulares, que podem ser unilaterais ou bilaterais.

Por que a azitromicina é o tratamento de escolha para Mycoplasma pneumoniae?

A azitromicina, um macrolídeo, é o tratamento de escolha porque Mycoplasma pneumoniae não possui parede celular, tornando-o resistente a antibióticos beta-lactâmicos. Os macrolídeos atuam inibindo a síntese proteica bacteriana.

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