Pneumonia Atípica: Diagnóstico e Tratamento com Macrolídeos

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2019

Enunciado

Uma adolescente com 17 anos procura o consultório de seu médico, pois está há 10 dias com febre baixa, mal estar, dor de cabeça e muita tosse com expectoração. Há 3 dias houve aparecimento de dor de garganta e de ouvido. Ao exame, o médico detecta estertores finos em bases de pulmões e sibilos esparsos em ambos os hemitórax, além de hiperemia de orofaringe. Otoscopia: miringitebolhosa. A radiografia de tórax revela um infiltrado intersticial em bases pulmonares. O agente mais provável de ser isolado em material de escarro e/ou pela reação de cadeia da polimerase (PCR) bem como o tratamento que poderia contribuir para abreviar o curso da doença seriam: 

Alternativas

  1. A) Mycoplasmapneumoniae; sulfametoxazol-trimetoprim 
  2. B) Streptococcuspneumoniae; penicilina 
  3. C) Chlamydiapneumoniae; eritromicina 
  4. D) Mycoplasmapneumoniae; eritromicina 
  5. E) Chlamydiapneumoniae; sulfametoxazol-trimetoprim 

Pérola Clínica

Adolescente com pneumonia atípica + miringite bolhosa + infiltrado intersticial → Mycoplasma pneumoniae, tratar com macrolídeo (eritromicina).

Resumo-Chave

O quadro clínico de pneumonia atípica (febre baixa, tosse persistente, mal-estar) em adolescente, associado a miringite bolhosa e infiltrado intersticial na radiografia, é altamente sugestivo de infecção por Mycoplasma pneumoniae. O tratamento de escolha para Mycoplasma são os macrolídeos, como a eritromicina.

Contexto Educacional

A pneumonia atípica, frequentemente causada por Mycoplasma pneumoniae, é uma condição comum em adolescentes e adultos jovens, caracterizada por um início mais insidioso e sintomas que podem ser menos graves que os da pneumonia bacteriana típica. O quadro clínico inclui febre baixa, tosse persistente (inicialmente seca, depois produtiva), cefaleia e mal-estar. A radiografia de tórax tipicamente revela um infiltrado intersticial, que pode ser sutil. Um achado distintivo que reforça a suspeita de Mycoplasma pneumoniae é a miringite bolhosa, uma inflamação do tímpano com bolhas, que causa dor de ouvido intensa. Outras manifestações extrapulmonares podem incluir exantemas cutâneos, artralgias e alterações neurológicas. O diagnóstico pode ser confirmado por PCR em escarro ou sorologia, embora o tratamento empírico seja frequentemente iniciado com base na clínica. O tratamento de escolha para infecções por Mycoplasma pneumoniae são os antibióticos macrolídeos (eritromicina, azitromicina, claritromicina) ou tetraciclinas (doxiciclina em pacientes > 8 anos). É crucial lembrar que Mycoplasma não possui parede celular, o que o torna resistente aos betalactâmicos (penicilinas, cefalosporinas). Residentes devem estar atentos a esse perfil clínico e microbiológico para instituir a terapia adequada e evitar falhas terapêuticas.

Perguntas Frequentes

Quais são as características clínicas que sugerem pneumonia por Mycoplasma pneumoniae?

A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae geralmente se apresenta com início insidioso, febre baixa, tosse seca persistente, cefaleia, mal-estar e, em alguns casos, manifestações extrapulmonares como miringite bolhosa e exantemas.

Por que os macrolídeos são o tratamento de escolha para Mycoplasma pneumoniae?

Mycoplasma pneumoniae não possui parede celular, tornando-o resistente a antibióticos que agem na síntese da parede celular, como os betalactâmicos. Os macrolídeos (eritromicina, azitromicina, claritromicina) atuam inibindo a síntese proteica bacteriana, sendo eficazes contra esse patógeno.

O que é miringite bolhosa e qual sua relevância na pneumonia?

Miringite bolhosa é uma inflamação do tímpano com formação de bolhas, frequentemente dolorosa. Embora não seja exclusiva, é uma manifestação otológica classicamente associada à infecção por Mycoplasma pneumoniae, auxiliando no diagnóstico diferencial de pneumonias atípicas.

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