FMC/HEAA - Faculdade de Medicina de Campos - Hospital Álvaro Alvim (RJ) — Prova 2019
Menina, 13 anos, hígida com diagnóstico de asma leve, é levada ao ambulatório de pediatria com queixa de tosse produtiva há 15 dias, precedida de sinais de resfriado. Não teve febre nem exacerbação aguda da asma neste período. Está em bom estado geral, mas não consegue dormir direito devido à tosse. Auscullta pulmonar: estertores nas bases e raros sibilos. Radiografia de tórax: opacidades alvéolo intersticiais nos lobos inferiores, médio e língula. O agente etiológico mais provável e o tratamento a ser considerado para esta adolescente são respectivamente:
Adolescente com tosse persistente, bom estado geral, infiltrado intersticial no RX → suspeitar Mycoplasma pneumoniae, tratar com azitromicina.
Em adolescentes, a pneumonia atípica, frequentemente causada por Mycoplasma pneumoniae, manifesta-se com tosse prolongada, sintomas arrastados, bom estado geral e infiltrados intersticiais no RX de tórax. Macrolídeos, como a azitromicina, são a escolha terapêutica.
A pneumonia é uma infecção respiratória comum em crianças e adolescentes, com etiologias variadas. Em adolescentes, as pneumonias atípicas, causadas por agentes como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae, são particularmente prevalentes. Elas se distinguem das pneumonias bacterianas típicas (ex: Pneumococo) por um quadro clínico mais insidioso e arrastado. O diagnóstico de pneumonia atípica é sugerido por sintomas como tosse persistente (muitas vezes seca ou pouco produtiva), febre baixa ou ausente, mialgia, cefaleia e um bom estado geral, apesar da duração dos sintomas. No exame físico, a ausculta pode revelar estertores e sibilos. O raio-X de tórax tipicamente mostra infiltrados alvéolo-intersticiais, que podem ser difusos ou localizados, como no caso da paciente. O tratamento da pneumonia atípica em adolescentes é baseado em antibióticos que atuam contra esses patógenos, sendo os macrolídeos (azitromicina, claritromicina) a primeira linha de escolha. A azitromicina é preferida pela sua posologia conveniente e boa tolerabilidade. É crucial diferenciar a pneumonia atípica da típica para evitar o uso inadequado de antibióticos beta-lactâmicos, que são ineficazes contra Mycoplasma e Chlamydia devido à ausência de parede celular.
A pneumonia por Mycoplasma pneumoniae geralmente apresenta início insidioso, tosse persistente e produtiva, febre baixa ou ausente, e bom estado geral, o que a diferencia de pneumonias bacterianas típicas.
O padrão radiológico comum na pneumonia atípica, especialmente por Mycoplasma pneumoniae, é o de infiltrados alvéolo-intersticiais, que podem ser difusos ou localizados, frequentemente nas bases pulmonares.
A azitromicina, um macrolídeo, é o tratamento de escolha porque Mycoplasma pneumoniae não possui parede celular e, portanto, é resistente a antibióticos beta-lactâmicos como a amoxicilina. Os macrolídeos agem inibindo a síntese proteica bacteriana.
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