Pneumonia Atípica em Crianças: Diagnóstico e Tratamento

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2022

Enunciado

Escolar de 5 anos é levado ao pediatra com história de ter iniciado, há 2 semanas, malestar, cefaleia, hiperemia ocular e odinofagia. Evoluiu com melhora dos sintomas iniciais, passando a apresentar, há 3 dias, tosse seca e chiado. A mãe da criança relatou também que o menino está tossindo há 3 semanas. Foi solicitada radiografia de tórax que evidenciou infiltrado intersticial peri-hilar. A conduta apropriada, nesse caso, será a prescrição de

Alternativas

  1. A) penicilina cristalina.
  2. B) esquema I para tuberculose.
  3. C) amoxicilina-clavulanato.
  4. D) claritromicina.

Pérola Clínica

Escolar com pródromos virais, tosse persistente, chiado e infiltrado intersticial → suspeitar pneumonia atípica (Mycoplasma/Chlamydophila) → tratar com macrolídeo.

Resumo-Chave

O quadro de tosse prolongada, pródromos virais, chiado e infiltrado intersticial em radiografia de tórax em um escolar é altamente sugestivo de pneumonia atípica, geralmente causada por Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydophila pneumoniae, que respondem bem a macrolídeos.

Contexto Educacional

A pneumonia atípica em crianças, especialmente em escolares e adolescentes, é frequentemente causada por agentes como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. Diferente das pneumonias bacterianas típicas, que costumam ter início abrupto e sintomas mais agudos, as pneumonias atípicas geralmente apresentam um início insidioso, com pródromos virais (mal-estar, cefaleia, odinofagia) seguidos por tosse persistente (muitas vezes seca e paroxística), febre baixa e, por vezes, chiado. A radiografia de tórax pode revelar infiltrados intersticiais, peribrônquicos ou broncopneumônicos, que nem sempre se correlacionam com a gravidade clínica. A suspeita diagnóstica é clínica e epidemiológica, sendo os exames laboratoriais e de imagem auxiliares. A fisiopatologia envolve a adesão desses microrganismos ao epitélio respiratório, causando inflamação e dano celular sem a formação de pus característica das pneumonias bacterianas. O tratamento de escolha para pneumonia atípica é com antibióticos da classe dos macrolídeos, como a claritromicina ou azitromicina. Penicilinas e cefalosporinas são ineficazes, pois Mycoplasma e Chlamydophila não possuem parede celular, alvo de ação desses antibióticos. A claritromicina é uma boa opção devido ao seu espectro de ação e boa tolerabilidade em crianças, sendo fundamental para a resolução dos sintomas e prevenção de complicações.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas da pneumonia atípica em crianças?

A pneumonia atípica em crianças geralmente apresenta início insidioso com pródromos virais (mal-estar, cefaleia, odinofagia), seguidos por tosse persistente (muitas vezes seca e paroxística), febre baixa e, por vezes, chiado. Os sintomas podem ser mais arrastados que na pneumonia bacteriana típica.

Por que macrolídeos são o tratamento de escolha para pneumonia atípica?

Macrolídeos (como claritromicina e azitromicina) são o tratamento de escolha porque os agentes mais comuns da pneumonia atípica, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae, não possuem parede celular. Antibióticos beta-lactâmicos, que agem na parede celular, são ineficazes contra esses patógenos.

Como diferenciar pneumonia atípica de pneumonia bacteriana típica?

A pneumonia atípica tende a ter início insidioso, sintomas mais arrastados, tosse seca e infiltrado intersticial no RX. A pneumonia bacteriana típica tem início abrupto, febre alta, tosse produtiva, prostração e infiltrado alveolar ou lobar no RX.

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