USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2023
Paciente de 3 anos, sexo masculino, com antecedente de encefalopatia hipóxico-isquêmica, portador de gastrostomia e traqueostomia, foi internado na enfermaria devido ao quadro de pneumonia à direita. O paciente tem antecedente de epilepsia, em uso de ácido valproico, com bom controle das crises, e pneumonias de repetição, com diversas internações no último ano. Durante a internação atual, o paciente foi avaliado por equipe de fonoaudiologia, que identificou distúrbio de deglutição e sialorreia.Qual das alternativas abaixo contém medicações que devem ser adicionadas às de uso contínuo, com o objetivo de reduzir a recorrência destes quadros pulmonares?
Pneumonia aspirativa + sialorreia em paciente neurológico → atropina oral para reduzir salivação.
Pacientes com encefalopatia hipóxico-isquêmica e distúrbios de deglutição frequentemente apresentam sialorreia, que aumenta o risco de aspiração e pneumonias de repetição. A atropina, um anticolinérgico, pode ser utilizada via oral para reduzir a produção de saliva, diminuindo assim o risco de aspiração e, consequentemente, a recorrência de infecções pulmonares.
A pneumonia aspirativa é uma complicação grave e frequente em crianças com comprometimento neurológico, como a encefalopatia hipóxico-isquêmica, que cursam com distúrbios de deglutição e sialorreia. Essas condições predispõem à aspiração de conteúdo orofaríngeo ou gástrico para as vias aéreas, levando a infecções pulmonares de repetição. O manejo eficaz exige uma abordagem multifacetada que vá além do tratamento agudo da infecção. A sialorreia, ou excesso de saliva, é um fator significativo de risco para aspiração em pacientes com disfagia, pois o acúmulo de saliva na orofaringe aumenta a chance de inalação para os pulmões. A avaliação fonoaudiológica é crucial para identificar e quantificar o distúrbio de deglutição e a sialorreia, orientando as intervenções. Além de medidas posturais e modificações dietéticas, a intervenção farmacológica pode ser necessária para controlar a produção de saliva. Nesse contexto, a atropina, um agente anticolinérgico, é uma opção eficaz. Embora o 'colírio de atropina via oral' seja um uso off-label, é uma prática comum e bem estabelecida na pediatria para o controle da sialorreia. A atropina atua bloqueando os receptores muscarínicos das glândulas salivares, diminuindo a secreção de saliva e, consequentemente, o risco de aspiração. Outras opções incluem a escopolamina transdérmica ou, em casos refratários, injeções de toxina botulínica nas glândulas salivares. A redução da sialorreia, em conjunto com outras estratégias, é fundamental para diminuir a recorrência de pneumonias aspirativas e melhorar a qualidade de vida desses pacientes.
Os principais fatores incluem distúrbios de deglutição (disfagia), sialorreia, refluxo gastroesofágico, uso de gastrostomia e traqueostomia, e nível de consciência alterado, que comprometem os mecanismos de proteção das vias aéreas.
A atropina é um agente anticolinérgico que bloqueia os receptores muscarínicos nas glândulas salivares, resultando na diminuição da produção de saliva. Ao reduzir o volume de saliva, diminui-se a quantidade de secreções que podem ser aspiradas para os pulmões.
Outras abordagens incluem terapia fonoaudiológica para reabilitação da deglutição, modificação da consistência dos alimentos, posicionamento adequado durante e após as refeições, e, em casos selecionados, cirurgias como a fundoplicatura para refluxo grave ou ligadura/derivação de ductos salivares.
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