CEPOA - Centro de Estudos e Pesquisas Oculistas Associados (RJ) — Prova 2019
Paciente do sexo feminino, 1 mês e 18 dias de idade, é levada a unidade hospitalar por seus responsáveis por apresentar tosse há 7 dias, que evoluiu com piora do padrão respiratório há 2 dias, sem febre, sem outras queixas. Trata-se de criança nascida a termo, parto vaginal, sem intercorrências perinatais. Apresentou quadro de conjuntivite na terceira semana de vida, resolvido com uso de colírio de tobramicina.Ao exame clínico, apresenta-se sem alterações na ectoscopia porém apresenta-se hipocorada +1/+4. Exame pulmonar com estertores finos em base direita, com presença de triagem subdiafragmática leve, FR 62 irpm, saturação de 89% em ar ambiente. Ausculta cardíaca sem alterações, FC 180 bpm. Exame abdominal com fígado a 3 cm do rebordo costal direito, baço percutível há 1 cm do rebordo costal esquerdo. Boa perfusão periférica. Sem outras alterações ao exame clínico. Realizada radiografia de tórax, com presença de infiltrado intersticial bilateral, mais intenso em base direita, com sinais de hiperinsuflação e espessamento brônquico. Área cardíaca de tamanho normal.Qual a principal hipótese diagnóstica?
Pneumonia afebril lactente + conjuntivite neonatal prévia → suspeitar Chlamydia trachomatis.
A pneumonia afebril do lactente, especialmente em menores de 6 meses com história de conjuntivite neonatal, deve levantar a suspeita de infecção por Chlamydia trachomatis. O quadro é insidioso, com tosse persistente e desconforto respiratório, sem febre.
A pneumonia afebril do lactente é uma condição respiratória comum em bebês com menos de 6 meses, caracterizada por tosse persistente e taquipneia sem febre. A etiologia mais frequente é a Chlamydia trachomatis, transmitida verticalmente durante o parto, mas outros agentes como Ureaplasma urealyticum e vírus também podem estar envolvidos. É crucial reconhecer este quadro para um manejo adequado, diferenciando-o de outras infecções respiratórias. O diagnóstico é clínico, baseado na história de tosse crônica, taquipneia e ausência de febre, muitas vezes com história prévia de conjuntivite neonatal. O exame físico pode revelar estertores finos e desconforto respiratório leve. A radiografia de tórax tipicamente mostra infiltrado intersticial bilateral e hiperinsuflação. Exames laboratoriais podem evidenciar eosinofilia, mas a confirmação etiológica pode ser feita por PCR ou cultura de secreções respiratórias. O tratamento da pneumonia por Chlamydia trachomatis é feito com macrolídeos, como eritromicina ou azitromicina, por via oral, por um período de 10 a 14 dias. A identificação e tratamento precoces são importantes para prevenir complicações e garantir a recuperação completa do lactente. O prognóstico geralmente é bom com o tratamento adequado.
Os principais sinais incluem tosse persistente, taquipneia, desconforto respiratório leve a moderado e ausência de febre. A história de conjuntivite neonatal é um forte indício etiológico.
O principal agente é a Chlamydia trachomatis, transmitida verticalmente da mãe para o bebê durante o parto, podendo causar conjuntivite e pneumonia.
O tratamento de escolha é com macrolídeos, como eritromicina ou azitromicina, por via oral, devido à cobertura intracelular necessária.
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