UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Abaixo, é apresentado um caso clínico referente a doenças respiratórias na infância, seguido de uma assertiva a ser julgada.Um lactente de um mês de idade, nascido de parto vaginal, apresentava tosse seca havia uma semana. O exame físico do bebê constatou temperatura axilar de 37 ºC, hiperemia, edema e secreção serosa em conjuntivas, leve taquipneia e murmúrio vesicular rude com creptações disseminadas à ausculta pulmonar. Foi realizada radiografia do tórax, conforme ilustrado a seguir.Nesse caso, o diagnóstico mais provável é pneumonia por Chlamydia trachomatis, e o tratamento do paciente deve ser realizado com azitromicina, na dose de 30 mg/kg por cincodias.
Lactente 1-3 meses + Tosse 'staccato' + Afebril + Conjuntivite prévia = Chlamydia trachomatis.
A pneumonia por Chlamydia trachomatis é uma infecção vertical clássica que se manifesta com tosse persistente, taquipneia e ausência de febre.
A pneumonia afebril do lactente é um diagnóstico diferencial crucial em bebês pequenos com sintomas respiratórios. A Chlamydia trachomatis é o agente etiológico mais comum nesse grupo etário específico. A fisiopatologia envolve a colonização da orofaringe e nasofaringe durante o parto vaginal, com posterior aspiração para os pulmões. O reconhecimento precoce evita complicações respiratórias crônicas e garante o tratamento adequado com macrolídeos, já que antibióticos beta-lactâmicos não possuem ação contra este agente intracelular. A presença de eosinofilia no hemograma e infiltrado intersticial no raio-X reforçam a suspeita clínica.
A apresentação clássica ocorre entre a 2ª e a 12ª semana de vida. O lactente apresenta-se em bom estado geral, porém com taquipneia e uma tosse característica em 'staccato' (curta e repetitiva). O dado clínico mais marcante é a ausência de febre (pneumonia afebril). Ao exame físico, podem ser ouvidos estertores finos disseminados. Cerca de 50% dos casos possuem história prévia ou atual de conjuntivite neonatal, já que a transmissão ocorre durante a passagem pelo canal de parto infectado.
O diagnóstico é predominantemente clínico-epidemiológico. Radiologicamente, observa-se hiperinsuflação pulmonar com infiltrados intersticiais bilaterais ou opacidades reticulonodulares. No hemograma, é comum encontrar eosinofilia significativa (> 400 células/mm³). A confirmação pode ser feita por métodos de biologia molecular (PCR) em secreção de nasofaringe ou conjuntiva, embora o tratamento muitas vezes seja iniciado empiricamente com base na tríade: idade, tosse característica e ausência de febre.
O tratamento de escolha para a pneumonia por Chlamydia trachomatis em lactentes são os macrolídeos. Historicamente, a eritromicina era o padrão, mas está associada ao risco de estenose hipertrófica de piloro. Atualmente, a azitromicina (10 mg/kg/dia por 3 a 5 dias) é preferida pela posologia simplificada e melhor perfil de segurança. O tratamento é essencial não apenas para a cura da pneumonia, mas para erradicar o estado de portador na nasofaringe e prevenir recorrências.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo