PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2024
Homem de 35 anos apresenta febre, tosse produtiva com escarro purulento, dor torácica ventilatório-dependente no hemitórax direito e dispneia há 72h. Desconhece comorbidades e nega uso de quaisquer drogas. Ao exame físico, PA 130/78mmHg, FC 104bpm, FR 18ipm, SpO2 95% (ar ambiente), Tax 38,8°C. Apresenta-se alerta e orientado. A ausculta respiratória revela crepitações grossas e sons respiratórios reduzidos na base do hemitórax direito; a percussão revela submacicez e o frêmito toracovocal está abolido. Exames de laboratório: PCR 123mg/L; leucócitos 14.560/mm³; neutrófilos segmentados 9.760/mm³; neutrófilos bastonetes 1.200/mm³; plaquetas 234.000/mm³; creatinina 1,1mg/dL; bilirrubinas totais 0,8mg/dL. Teste de Covid-19 não reagente. Radiografia do tórax: consolidação no lobo inferior direito, derrame pleural leve a moderado à D com sinal do menisco evidente e sem alterações pleurais evidentes. No decúbito lateral direito, houve mudança do aspecto do derrame pleural, que assumiu posição gravidadedependente e mediu 1cm entre as pleuras parietal e visceral. O paciente foi internado. Assinale a alternativa que apresenta a conduta inicial MAIS ADEQUADA nesse caso:
Pneumonia internado com derrame pleural leve/moderado e estável: iniciar amoxicilina-clavulanato. Toracocentese para derrames >1cm ou sinais de complicação.
Em pacientes internados com pneumonia adquirida na comunidade e derrame pleural leve a moderado, sem sinais de gravidade ou complicação imediata do derrame, a antibioticoterapia empírica com amoxicilina-clavulanato é uma conduta inicial razoável. A toracocentese é indicada se o derrame for maior que 1 cm em decúbito lateral ou se houver suspeita de empiema.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma infecção respiratória comum e potencialmente grave, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo. O diagnóstico é baseado na apresentação clínica (febre, tosse, dispneia, dor torácica) e achados radiológicos (consolidação, infiltrado). A presença de derrame pleural parapneumônico é uma complicação frequente da PAC, ocorrendo quando a inflamação pulmonar se estende à pleura. A avaliação da gravidade da PAC é crucial para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha da antibioticoterapia. A fisiopatologia da PAC envolve a inalação ou aspiração de microrganismos patogênicos que colonizam as vias aéreas superiores, levando à inflamação do parênquima pulmonar. O derrame pleural parapneumônico se forma devido ao aumento da permeabilidade capilar pleural e à migração de fluidos e células inflamatórias para o espaço pleural. A diferenciação entre um derrame não complicado e um complicado (que pode evoluir para empiema) é fundamental, pois este último requer drenagem torácica além da antibioticoterapia. O diagnóstico do derrame é feito por exame físico (macicez, frêmito toracovocal abolido) e confirmado por radiografia de tórax, ultrassonografia ou tomografia. O tratamento inicial da PAC com derrame pleural envolve antibioticoterapia empírica, que deve cobrir os patógenos mais comuns (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae). A escolha do antibiótico e a via de administração dependem da gravidade do paciente e dos fatores de risco. Para pacientes internados com PAC não grave, amoxicilina-clavulanato é uma opção eficaz. A toracocentese é um procedimento diagnóstico e, por vezes, terapêutico, essencial para derrames significativos. O prognóstico da PAC com derrame pleural é geralmente bom com tratamento adequado, mas o reconhecimento e manejo precoce das complicações são essenciais para evitar desfechos adversos.
Para pacientes internados com PAC sem fatores de risco para patógenos resistentes ou doença grave, a antibioticoterapia inicial pode incluir beta-lactâmicos (como amoxicilina-clavulanato ou ceftriaxona) ou fluoroquinolonas respiratórias (como levofloxacino). A escolha depende da gravidade e epidemiologia local.
A toracocentese propedêutica é indicada para derrames pleurais parapneumônicos que medem mais de 1 cm de espessura em radiografia de tórax em decúbito lateral. É essencial para diferenciar um derrame não complicado de um complicado ou empiema, guiando a necessidade de drenagem.
Sinais de derrame pleural complicado ou empiema incluem febre persistente apesar da antibioticoterapia, dor torácica pleurítica intensa, loculações no ultrassom ou tomografia, e características do líquido pleural como pH < 7,20, glicose < 60 mg/dL, LDH > 3 vezes o limite superior do soro, ou presença de bactérias na coloração de Gram ou cultura.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo