Pneumonia Pediátrica: Sinais de Perigo e Internação

HFR - Hospital Felício Rocho (MG) — Prova 2019

Enunciado

Um paciente de 1 ano e 3 meses de idade, do sexo masculino, previamente hígido, com história de febre, tosse discreta e dor abdominal de 3 dias de evolução. À admissão em pronto atendimento, o paciente encontrava-se afebril, hemodinamicamente estável, frequência respiratória=45irpm, esforço respiratório caracterizado apenas por tiragem subcostal, saturação de oxigênio de 96% em ar ambiente. Ausculta respiratória aparentemente sem alterações, prejudicada pelo choro intenso da criança durante exame físico. Em relação ao quadro clínico descrito acima, é CORRETO afirmar: 

Alternativas

  1. A) É imperativa a realização de radiografia de tórax para diagnóstico deste paciente, de modo que, uma radiografia normal, exclui o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade.
  2. B) Na ausência de sibilos, com a clínica apresentada, deve-se realizar o diagnóstico de pneumonia adquirida na comunidade de causa bacteriana, e iniciar tratamento com antibiótico.
  3. C) O paciente supracitado apresenta sinal de perigo segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), indicando necessidade de internação hospitalar para tratamento.
  4. D) Dentre os prováveis agentes da pneumonia adquirida na comunidade encontra-se os vírus, sendo que destaca-se o Influenza como o de maior incidência. 

Pérola Clínica

Criança < 5 anos com tiragem subcostal = sinal de perigo OMS → internação hospitalar.

Resumo-Chave

A tiragem subcostal em crianças menores de 5 anos é um sinal de perigo de pneumonia grave, conforme os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS), e indica a necessidade de internação hospitalar para manejo adequado, mesmo na ausência de outros sinais como cianose ou incapacidade de beber.

Contexto Educacional

A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em crianças é uma das principais causas de morbimortalidade infantil globalmente, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na prática pediátrica. A avaliação de sinais de gravidade é crucial para definir a conduta e evitar desfechos adversos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece critérios claros para identificar crianças com maior risco, que necessitam de internação hospitalar. Entre os sinais de perigo da OMS para crianças menores de 5 anos, a tiragem subcostal (retração da parede torácica inferior durante a inspiração) é um indicador importante de pneumonia grave, mesmo na ausência de outros sinais como taquipneia isolada ou febre. Sua presença, juntamente com outros sinais como estridor em repouso, cianose, incapacidade de beber ou vômitos persistentes, exige internação imediata para monitorização e tratamento. O manejo da PAC pediátrica envolve a avaliação clínica cuidadosa, a identificação de sinais de gravidade e a decisão sobre o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar). Embora a radiografia de tórax possa auxiliar, o diagnóstico é primariamente clínico, e o tratamento empírico com antibióticos deve ser iniciado prontamente em casos de suspeita bacteriana ou grave. A maioria das pneumonias em lactentes é de etiologia viral, mas a distinção pode ser difícil, e a cobertura antibiótica é frequentemente necessária em casos graves ou com sinais de perigo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de perigo da pneumonia em crianças, segundo a OMS?

Os sinais de perigo da OMS incluem tiragem subcostal, estridor em repouso, cianose, incapacidade de beber ou mamar, vômitos persistentes, convulsões, letargia ou inconsciência. A presença de qualquer um indica gravidade.

Por que a tiragem subcostal indica internação em crianças com pneumonia?

A tiragem subcostal é um sinal de aumento do esforço respiratório e fadiga muscular, indicando que a criança está com dificuldade significativa para respirar e necessita de suporte hospitalar para evitar descompensação e insuficiência respiratória.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns de pneumonia em lactentes?

Em lactentes, os vírus são os agentes mais comuns, com destaque para o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), seguido por outros vírus como Adenovírus, Parainfluenza e Influenza. Bactérias como Streptococcus pneumoniae também são importantes.

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