Pneumonia Afebril em Crianças: Mitos e Verdades

Santa Casa de Barra Mansa (RJ) — Prova 2021

Enunciado

Assinale a alternativa FALSA sobre a Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) na infância e adolescência:

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de PAC é eminentemente clínico, dispensando a realização de radiografia de tórax, que só é recomendada nos casos graves que demandam internação
  2. B) Em geral, consolidação alveolar, pneumatoceles, derrames pleurais e abscessos sugerem etiologia bacteriana. O padrão intersticial está mais frequentemente associado a vírus e Mycoplasma pneumoniae ou Chlamydia pneumoniae. Esses são agentes causadores de pneumonias atípicas
  3. C) O diagnóstico microbiológico só é indicado nos casos de PAC grave, em crianças internadas ou quando a evolução do paciente é desfavorável. Para isso, um dos métodos é a hemocultura, embora sua positividade seja baixa (pode alcançar 35% nos casos hospitalizados). Apesar de sua baixa sensibilidade, o exame é importante, especialmente em serviços de referência, pois o conhecimento do padrão de resistência/sensibilidade aos antimicrobianos, com destaque para o pneumococo, é crucial
  4. D) Em menores de 2 meses, são considerados sinais de doença muito grave: recusa alimentar, convulsões, sonolência excessiva, estridor em repouso, febre ou hipotermia, além da tiragem subcostal grave
  5. E) Quadros de pneumonia afebril podem ocorrer apenas em lactentes

Pérola Clínica

Pneumonia afebril não é exclusiva de lactentes; pode ocorrer em outras faixas etárias, especialmente em imunocomprometidos.

Resumo-Chave

A alternativa E é falsa porque, embora a pneumonia afebril seja mais comum em lactentes (especialmente por Chlamydia trachomatis), ela não é exclusiva dessa faixa etária. Pode ocorrer em crianças maiores e adolescentes, especialmente em casos de infecções atípicas ou em pacientes imunocomprometidos, onde a resposta febril pode ser atenuada.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) na infância e adolescência é uma das principais causas de morbimortalidade pediátrica. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado em sintomas como tosse, taquipneia, febre e sinais de desconforto respiratório. A radiografia de tórax, embora útil, não é rotineira e é reservada para casos graves, internações ou quando há dúvida diagnóstica, para identificar complicações como derrames pleurais ou abscessos. A etiologia da PAC varia com a idade. Em lactentes, vírus são comuns, enquanto em pré-escolares e escolares, bactérias como Streptococcus pneumoniae e agentes atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae ganham relevância. Consolidações alveolares e derrames pleurais sugerem etiologia bacteriana, enquanto o padrão intersticial é mais associado a vírus e agentes atípicos. O diagnóstico microbiológico é geralmente reservado para casos graves ou com má evolução. Um ponto crucial é a apresentação clínica. Embora a febre seja um sintoma comum, a pneumonia afebril não é exclusiva de lactentes, como afirma a alternativa falsa. Crianças maiores e adolescentes, especialmente com infecções por agentes atípicos ou em estados de imunocomprometimento, podem apresentar pneumonia sem febre. Reconhecer os sinais de gravidade, como tiragem subcostal grave, recusa alimentar e sonolência, é vital para o manejo adequado e a decisão de internação, especialmente em menores de 2 meses.

Perguntas Frequentes

Quando a radiografia de tórax é recomendada no diagnóstico de PAC em crianças?

A radiografia de tórax não é rotina para o diagnóstico de PAC em crianças, que é eminentemente clínico. É recomendada em casos graves que demandam internação, quando há dúvida diagnóstica, para avaliar complicações (derrame pleural, pneumatocele) ou em casos de má evolução clínica.

Quais são os agentes etiológicos mais comuns de pneumonias atípicas em crianças?

Os agentes mais comuns de pneumonias atípicas em crianças são Mycoplasma pneumoniae e Chlamydia pneumoniae. Vírus também são causas frequentes, especialmente em lactentes e pré-escolares.

Quais sinais indicam doença muito grave em menores de 2 meses com PAC?

Em menores de 2 meses, sinais de doença muito grave incluem recusa alimentar, convulsões, sonolência excessiva, estridor em repouso, febre ou hipotermia, e tiragem subcostal grave.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo