SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2021
Durante plantão na emergência, a pediatra atende uma criança de 4 anos com 15 kg, quadro de tosse produtiva e febre há 48h. Nega vômitos. Ao exame físico, encontra-se afebril ao toque, hidratado, sem tiragem intercostal, mas com FR aferida em 1 minuto de 42ipm, AR: estertores finos em base do HTD. Restante da ausculta normal. SATO2:96%; ACV- BNF, RCR sem sopros, FC=90 bpm.Nessa situação, qual a conduta CORRETA?
PAC em criança sem desconforto respiratório grave → Amoxicilina oral ambulatorial, sem Rx de tórax inicial.
Em crianças com pneumonia adquirida na comunidade (PAC) sem sinais de gravidade (como tiragem, SatO2 < 92%, vômitos persistentes), o tratamento ambulatorial com amoxicilina oral é a conduta correta. A radiografia de tórax não é rotineiramente indicada para casos leves a moderados tratados ambulatorialmente, sendo reservada para suspeita de complicações ou falha terapêutica.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, especialmente em países em desenvolvimento. O diagnóstico é predominantemente clínico, baseado na presença de tosse, febre e taquipneia, com ou sem achados na ausculta pulmonar. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para evitar complicações e reduzir a mortalidade infantil. A epidemiologia da PAC varia com a idade, sendo vírus os agentes mais comuns em lactentes e pré-escolares, e bactérias (principalmente Streptococcus pneumoniae) em crianças maiores. A fisiopatologia da PAC envolve a inalação ou aspiração de microrganismos que colonizam o trato respiratório superior, levando à inflamação e consolidação do parênquima pulmonar. O diagnóstico diferencial inclui bronquiolite, asma e outras infecções respiratórias. A suspeita de PAC deve ser alta em crianças com febre e taquipneia. A avaliação da gravidade é fundamental para definir o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar), sendo a presença de sinais de desconforto respiratório grave, hipoxemia ou incapacidade de hidratação oral indicativos de internação. O tratamento da PAC não complicada em crianças é ambulatorial, com amoxicilina oral por 7 a 10 dias. A reavaliação em 48-72 horas é importante para monitorar a resposta ao tratamento. Em casos de falha terapêutica ou piora clínica, deve-se considerar a internação, a troca do antibiótico e a realização de exames complementares, como radiografia de tórax. A vacinação (pneumocócica e influenza) é uma medida preventiva essencial para reduzir a incidência e a gravidade da PAC pediátrica.
Sinais de gravidade incluem desconforto respiratório grave (tiragem subcostal intensa, batimento de asa nasal, gemência), cianose, SatO2 < 92%, incapacidade de beber, vômitos persistentes, letargia ou convulsões. A presença de qualquer um desses indica necessidade de internação.
A amoxicilina é a primeira escolha devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae, o principal agente etiológico da PAC bacteriana em crianças, além de ter boa tolerabilidade, baixo custo e ser administrada por via oral.
O raio-X de tórax é indicado em casos de suspeita de complicações (derrame pleural, pneumotórax), falha terapêutica após 48-72h de antibiótico, ou quando há sinais de gravidade que justifiquem internação para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da doença.
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