FAMENE - Faculdade de Medicina Nova Esperança (PB) — Prova 2026
Um menino de 3 anos, previamente saudável, é levado ao pronto-socorro com febre alta (39,5℃) há 3 dias, tosse produtiva e piora da dispneia. A mãe refere recusa de líquidos e alimentos, dois episódios de vômito e sonolência desde a madrugada. Não há história de doenças crônicas, uso recente de antibióticos ou contato com casos de tuberculose. Ao exame, nota-se prostrado, febril, acianótico, perfusão periférica regular, hidratado, com tiragem subcostal leve e batimento de asa nasal. FC 138 bpm, FR 50 irpm, SatO₂ 91% em ar ambiente, PA 90x55 mmHg. Ausculta pulmonar com murmúrio vesicular diminuído em base direita, estertores crepitantes à D. Exames demonstram leucocitose com neutrofilia e radiografia de tórax com consolidação alveolar no lobo inferior direito com broncograma aéreo. Qual é o agente etiológico mais provável e o tratamento de escolha?
Pneumonia grave (SatO2 < 92% ou prostração) → Internação + Penicilina Cristalina IV.
O Streptococcus pneumoniae é o principal agente bacteriano em todas as faixas etárias após o período neonatal. Sinais de gravidade como hipoxemia e prostração exigem tratamento hospitalar parenteral.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma causa importante de morbimortalidade na infância. O diagnóstico é eminentemente clínico, baseado em febre, tosse e taquipneia. A radiografia de tórax é indicada em casos de dúvida diagnóstica, suspeita de complicações (como derrame pleural) ou necessidade de internação. O tratamento ambulatorial é geralmente feito com amoxicilina oral. No entanto, a presença de sinais de perigo (hipoxemia, desconforto respiratório grave, incapacidade de hidratação) impõe a via endovenosa. O Streptococcus pneumoniae permanece como o patógeno bacteriano mais prevalente, justificando o uso de penicilinas como primeira linha.
Os sinais de gravidade que indicam necessidade de hospitalização incluem saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente, presença de tiragem subcostal ou batimento de asa nasal, frequência respiratória muito elevada para a idade, sinais de desidratação, recusa alimentar, vômitos persistentes e alteração do estado de consciência (prostração ou sonolência).
A penicilina cristalina é o padrão-ouro para o tratamento da pneumonia pneumocócica grave em crianças hospitalizadas devido à sua excelente eficácia contra o Streptococcus pneumoniae e perfil de segurança. Em casos de resistência local documentada ou falha terapêutica, alternativas como cefalosporinas de terceira geração podem ser consideradas.
O achado clássico é a consolidação alveolar, que se manifesta como uma opacidade homogênea, frequentemente lobar ou segmentar, acompanhada de broncogramas aéreos. Diferente dos quadros virais, que costumam apresentar infiltrados intersticiais difusos e hiperinsuflação, a pneumonia bacteriana tende a ser mais localizada.
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