FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2023
Menina, 4 anos de idade, tem coriza, tosse e febre há 5 dias. Queixa-se de dor abdominal, tem pouca aceitação alimentar e evacuações normais. Ao exame, está corada, hidratada, FR = 36 mrm, FC = 110 bpm, Sat O2 = 94%. Na ausculta pulmonar há diminuição do murmúrio vesicular em base direita, raros estertores esparsos, sem sibilos. A radiografia de tórax tem consolidação em lobo inferior direito, sem acometimento pleural. A conduta mais indicada ao quadro apresentado é
Pneumonia ambulatorial pediátrica sem sinais de gravidade → Amoxicilina VO e reavaliação precoce.
A criança apresenta pneumonia comunitária sem sinais de gravidade (sem desconforto respiratório grave, saturação aceitável, bom estado geral). Nesses casos, o tratamento ambulatorial com amoxicilina oral é a conduta de escolha, com reavaliação em 24-48 horas para monitorar a resposta.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade em crianças, sendo um desafio diagnóstico e terapêutico na pediatria. A maioria dos casos em crianças maiores de 2 meses é de etiologia viral, mas a etiologia bacteriana, principalmente por Streptococcus pneumoniae, é a mais grave e requer tratamento antibiótico. A avaliação da gravidade é fundamental para decidir entre tratamento ambulatorial e internação hospitalar. No caso apresentado, a criança de 4 anos tem sintomas respiratórios e febre, com achados de consolidação na radiografia de tórax, compatíveis com pneumonia. No entanto, ela está corada, hidratada, sem desconforto respiratório grave (FR 36 mrm é elevada para a idade, mas não acompanhada de outros sinais de gravidade como tiragem intensa ou gemência), SatO2 de 94% é aceitável, e não há recusa alimentar importante ou alteração do nível de consciência. Esses dados sugerem um quadro de pneumonia não grave. A conduta para pneumonia não grave em crianças maiores de 2 meses é o tratamento ambulatorial com amoxicilina oral, na dose de 80-90 mg/kg/dia, dividida em duas ou três tomadas. A reavaliação em 24 a 48 horas é crucial para monitorar a resposta ao tratamento e identificar qualquer sinal de piora que justifique a internação ou a troca do antibiótico. Antibióticos de amplo espectro ou internação são reservados para casos com sinais de gravidade ou falha terapêutica.
Os critérios de internação para pneumonia pediátrica incluem idade < 2 meses, desconforto respiratório grave (tiragem subcostal, batimento de asa nasal, gemência), cianose, SatO2 < 92%, recusa alimentar, desidratação, vômitos persistentes, apneia, alteração do nível de consciência, comorbidades graves e falha terapêutica ambulatorial.
A amoxicilina é o antibiótico de primeira escolha para pneumonia ambulatorial em crianças devido à sua eficácia contra o Streptococcus pneumoniae, o principal agente etiológico da pneumonia bacteriana em crianças, além de ter boa tolerabilidade, baixo custo e ser de fácil administração oral.
Sinais de alerta incluem piora do desconforto respiratório, aumento da frequência respiratória, cianose, febre persistente, recusa alimentar, vômitos, letargia, irritabilidade excessiva e diminuição da diurese. Qualquer um desses sinais indica a necessidade de reavaliação médica imediata.
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