INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2011
Criança do sexo masculino, com quatro anos de idade, é atendido na Unidade Básica de Saúde com história de febre há três dias, cansaço, tosse seca frequente, às vezes seguida de vômitos, astenia, anorexia e dor abdominal. Há dez dias apresentou “resfriado febril” com duração de cinco dias, tendo usado Ampicilina por dois dias. No momento o estado geral é regular, apresenta dispneia leve, palidez e hipoatividade. A ausculta pulmonar revela diminuição do murmúrio vesicular em terço inferior do hemitórax dorsal direito. Peso e estatura adequados para a idade. Não informa doenças anteriores. Tem mais dois irmãos saudáveis. Está em uso de salbutamol, de 6/6 horas, há três dias. A conduta apropriada para a criança é:
Pneumonia bacteriana típica em >2 meses sem sinais de gravidade → Amoxicilina VO (1ª linha).
Em crianças com quadro sugestivo de pneumonia bacteriana sem critérios de internação, a Amoxicilina oral é o tratamento de escolha para cobertura do Streptococcus pneumoniae.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade infantil no Brasil. O diagnóstico é eminentemente clínico na atenção primária, baseado na presença de febre, tosse e aumento da frequência respiratória. A escolha da Amoxicilina em doses adequadas (geralmente 50mg/kg/dia, podendo chegar a 80-90mg/kg/dia em áreas de resistência) visa cobrir o agente mais prevalente, o Streptococcus pneumoniae. O uso prévio inadequado de antibióticos, como relatado no caso (Ampicilina por 2 dias), reforça a necessidade de instituir o tratamento correto com dose e tempo plenos.
A Amoxicilina é indicada como primeira linha para crianças acima de 2 meses com diagnóstico clínico de pneumonia (tosse e taquipneia ou sinais focais na ausculta) que não apresentam sinais de gravidade, como tiragem subcostal, cianose, incapacidade de ingerir líquidos ou letargia.
A Amoxicilina possui uma absorção gastrointestinal significativamente superior e mais estável que a Ampicilina oral, resultando em níveis séricos mais altos e maior eficácia contra o pneumococo, além de permitir intervalos de dose mais convenientes (8/8h ou 12/12h).
Devem ser internadas crianças com sinais de desconforto respiratório grave (tiragem subcostal, batimento de asa de nariz), saturação de oxigênio <92%, sinais de sepse, desidratação, falha terapêutica ambulatorial após 48-72h ou idade inferior a 2 meses.
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