UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2020
Lactente com 8 meses de idade apresentando há 5 dias febre persistente, dificuldade para sugar, desconforto respiratório e tosse produtiva. Ao exame: letárgico, hidratado, descorado 2+/4+, dispnéico, afebril e anicterico. OF: ndn; Ap: MV +, creptações em todo hemitorax direito; FR: 62 ipm; Expansibilidade torácica simétrica; Batimento de asa de nariz e tiragem intercostal 3+/4+; So2: 92% em ar ambiente; Fc: 150 bpm; Pulsos periféricos cheios; Pcp: 3 segundos; Abd: flácido, sem vmg; RHA +; SN: ecg 15. O plano terapêutico ideal para o paciente do caso acima é:
Lactente + febre + taquipneia + sinais de esforço/hipoxemia = Pneumonia Grave → Internação + ATB IV.
O quadro clínico de pneumonia grave em lactentes exige suporte ventilatório imediato, monitorização contínua e antibioticoterapia sistêmica devido ao alto risco de rápida deterioração clínica.
A pneumonia é uma das principais causas de morbimortalidade em menores de 5 anos. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na presença de febre, tosse e taquipneia. A OMS define taquipneia em lactentes de 2 a 11 meses como FR ≥ 50 ipm. No caso apresentado, a FR de 62 ipm associada a tiragens e letargia classifica o quadro como pneumonia grave ou doença muito grave. O tratamento requer estabilização hemodinâmica e respiratória. A monitorização da oximetria de pulso é fundamental para guiar a oferta de oxigênio. A antibioticoterapia deve ser iniciada precocemente após a coleta de culturas, visando os patógenos mais comuns como S. pneumoniae e H. influenzae. A reavaliação clínica seriada é indispensável para detectar falha terapêutica ou complicações como derrame pleural e abscesso pulmonar.
Os sinais de gravidade incluem taquipneia intensa (FR > 50 em lactentes de 2-11 meses), tiragem subcostal ou intercostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, saturação de oxigênio abaixo de 92% em ar ambiente, e sinais de perigo como letargia, incapacidade de ingerir líquidos ou vômitos incoercíveis. A presença de qualquer um desses sinais indica a necessidade de internação hospitalar para suporte de oxigênio e antibioticoterapia intravenosa imediata.
A escolha inicial geralmente recai sobre a Ampicilina associada a um Aminoglicosídeo ou Cefalosporinas de 3ª geração (como Ceftriaxona), dependendo da suspeita etiológica e do perfil epidemiológico local. Em lactentes maiores de 2 meses, o Streptococcus pneumoniae continua sendo o principal agente bacteriano, mas o Staphylococcus aureus deve ser considerado em quadros muito graves, complicados com derrame pleural ou em pacientes com história de hospitalização recente.
A oxigenioterapia está indicada sempre que a saturação de oxigênio (SpO2) for inferior a 92% em ar ambiente, ou na presença de sinais claros de desconforto respiratório moderado a grave. O objetivo é manter a SpO2 acima de 94% e reduzir o trabalho respiratório, prevenindo a fadiga muscular e a parada respiratória subsequente. A monitorização deve ser contínua através de oximetria de pulso.
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