UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Homem, 34 anos de idade, apresenta há 3 dias tosse com expectoração amarela, sem sangue, dor torácica posterior direita que piora com a tosse ou respiração profunda, e sem falta de ar. Previamente saudável, refere alergia na infância com uso de sulfa, amoxacilina e anti-inflamatórios não hormonais. Exame físico: febril (38,9 ºC), PA = 110 / 80 mmHg, FC = 88 bpm, FR = 16 irpm, SpO₂ 97% em ar ambiente, presença de estertores finos na base pulmonar direita, sem outras alterações. Radiografia de tórax: consolidação em lobo inferior direito. Qual é a conduta mais adequada?
PAC ambulatorial com alergia a betalactâmicos → Quinolona respiratória oral é a escolha.
Este paciente apresenta pneumonia adquirida na comunidade (PAC) de baixo risco, sem critérios de internação (CURB-65 = 0). A alergia a betalactâmicos e macrolídeos (sulfa e amoxicilina) direciona a escolha para uma quinolona respiratória, que oferece boa cobertura para patógenos típicos e atípicos.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que ocorre fora do ambiente hospitalar, sendo uma das principais causas de morbidade e mortalidade globalmente. É crucial para residentes e estudantes de medicina dominar seu diagnóstico e manejo, pois representa um desafio comum na prática clínica diária, com implicações significativas na saúde pública. A identificação precoce e o tratamento adequado são fundamentais para prevenir complicações e reduzir a necessidade de internação. O diagnóstico da PAC é baseado em achados clínicos (tosse, febre, dispneia, dor pleurítica) e radiográficos (infiltrado pulmonar). A etiologia é variada, com Streptococcus pneumoniae sendo o agente mais comum, seguido por patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. A avaliação da gravidade, frequentemente realizada por escores como CURB-65 ou PSI/PORT, é essencial para determinar o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar) e a escolha do regime antimicrobiano. O tratamento da PAC ambulatorial para pacientes sem comorbidades e sem fatores de risco para patógenos resistentes geralmente envolve macrolídeos ou doxiciclina. No entanto, em pacientes com comorbidades, uso recente de antibióticos ou, como no caso apresentado, história de alergia a betalactâmicos e macrolídeos, as quinolonas respiratórias (levofloxacino, moxifloxacino) tornam-se a opção preferencial devido ao seu amplo espectro e boa penetração pulmonar. A duração do tratamento varia, mas geralmente é de 5 a 7 dias, com melhora clínica sendo o principal indicador de sucesso terapêutico.
Os critérios para tratamento ambulatorial da PAC incluem pacientes com baixo risco de mortalidade, geralmente avaliados por escores como CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade > 65 anos) com pontuação 0 ou 1.
Para pacientes com PAC e alergia a penicilina, a conduta inicial pode incluir o uso de quinolonas respiratórias (como levofloxacino ou moxifloxacino) ou, em casos específicos, doxiciclina, garantindo cobertura para patógenos típicos e atípicos.
Quinolonas respiratórias como levofloxacino e moxifloxacino oferecem ampla cobertura para patógenos comuns da PAC, incluindo Streptococcus pneumoniae (mesmo cepas resistentes à penicilina), Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis, e patógenos atípicos como Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae e Legionella pneumophila.
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