UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2019
Lactente de 5 meses, desnutrido, há 2 dias com febre (38,5º C), recusa alimentar e prostração. Ao exame, apresenta-se toxemiado, taquipneico (FR2. 64 ipm), gemente e com presença de lesões pustulosas em couro cabeludo. À ausculta respiratória, nota-se murmúrio vesicular abolido em 1/3 médio e inferior do tórax direito, macicez à percursão. Mãe informa que a criança nunca foi hospitalizada, que está com a vacinação em dia (não trouxe o cartão de vacinas) e que até o momento fez uso somente de paracetamol. Sobre o caso em questão, é correto afirmar:
Lactente desnutrido com pneumonia grave e lesões pustulosas → considerar S. aureus, iniciar Oxacilina + Cefalosporina 3ª geração IV.
Em lactentes desnutridos com pneumonia grave e sinais de toxemia, prostração e lesões cutâneas (pustulosas), a suspeita de infecção por Staphylococcus aureus é alta. O tratamento empírico deve cobrir este agente, além dos patógenos comuns, justificando a associação de oxacilina e cefalosporina de 3ª geração intravenosa.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) em lactentes é uma causa significativa de morbimortalidade infantil, especialmente em países em desenvolvimento. Em crianças desnutridas, o quadro clínico tende a ser mais grave e a resposta imune comprometida, aumentando o risco de complicações e infecções por patógenos mais virulentos. A avaliação de um lactente com febre, desconforto respiratório e prostração exige uma abordagem rápida e assertiva. No caso apresentado, a presença de desnutrição, toxemia, taquipneia, gemência e lesões pustulosas no couro cabeludo, juntamente com achados de consolidação e derrame pleural (murmúrio vesicular abolido, macicez), sugere um quadro grave. As lesões pustulosas são um forte indício de infecção por Staphylococcus aureus, que pode causar pneumonia necrotizante, empiema e disseminação cutânea. A vacinação antipneumocócica, embora importante, não confere proteção contra todos os sorotipos de Streptococcus pneumoniae e não cobre S. aureus. O tratamento de escolha para pneumonia grave em lactentes com suspeita de S. aureus e/ou empiema deve ser hospitalar e incluir antibioticoterapia venosa de amplo espectro. A combinação de oxacilina (para S. aureus, incluindo cepas produtoras de penicilinase) e uma cefalosporina de 3ª geração (como ceftriaxona ou cefotaxima, para cobrir Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae resistente) é uma escolha empírica adequada para cobrir os principais patógenos bacterianos nesse cenário de gravidade e suspeita de S. aureus. A desnutrição é um fator de risco que justifica uma abordagem mais agressiva.
Sinais de gravidade incluem taquipneia acentuada, tiragem subcostal, batimento de asa de nariz, gemência, cianose, prostração, recusa alimentar, desidratação, e em lactentes, a presença de lesões cutâneas sugestivas de infecção sistêmica.
A desnutrição compromete a resposta imune da criança, tornando-a mais suscetível a infecções, aumentando a gravidade da doença e o risco de complicações. Também pode alterar a flora bacteriana e a capacidade de reparo tecidual.
Em casos de pneumonia grave em lactentes, especialmente com fatores de risco como desnutrição e lesões cutâneas sugestivas, a cobertura empírica deve incluir um antibiótico para Staphylococcus aureus (como oxacilina ou clindamicina) associado a uma cefalosporina de 3ª geração para cobrir outros patógenos comuns.
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