Estratificação da PAC: Critérios ATS/IDSA e CURB-65

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Homem, 72 anos, hipertenso, portador de insuficiência cardíaca com fração de ejeção de 42% e doença renal crônica estádio 3b (creatinina basal 1,6 mg/dL). É levado ao pronto-socorro por familiares devido à tosse produtiva com expectoração amarelada, febre aferida de 38,8°C há 3 dias e prostração intensa. Ao exame físico, apresenta-se orientado no tempo, porém confuso quanto ao espaço (desorientação de início agudo). Dados vitais: pressão arterial 115/75 mmHg, frequência cardíaca 108 bpm, frequência respiratória 31 irpm e saturação de oxigênio 89% em ar ambiente. A ausculta pulmonar revela estertores crepitantes em base e terço médio de hemitórax direito. Exames laboratoriais: ureia 90 mg/dL, creatinina 2,1 mg/dL, leucócitos 14.500/mm³ com 12% de bastões. Gasometria arterial em ar ambiente: pH 7,36, pO2 50 mmHg, pCO2 32 mmHg, HCO3 22 mEq/L. Radiografia de tórax: infiltrado alveolar em lobo inferior direito e lobo médio. Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao manejo e estratificação deste paciente:

Alternativas

  1. A) Para este paciente, que apresenta comorbidades significativas e critérios de gravidade, a monoterapia com macrolídeos não é recomendada devido ao risco de resistência do Streptococcus pneumoniae e maior probabilidade de falha terapêutica.
  2. B) O escore CURB-65 de 4 pontos indica um grupo de alto risco, com mortalidade estimada que pode ultrapassar 30% em algumas séries, o que fundamenta a necessidade de internação hospitalar e vigilância rigorosa.
  3. C) De acordo com os critérios da ATS/IDSA para a definição de pneumonia grave, a presença de confusão mental de início agudo e a relação PaO2/FiO2 menor que 250 são classificadas como critérios maiores.
  4. D) A coleta de hemoculturas e cultura de escarro está formalmente indicada neste caso, visto que o paciente apresenta critérios de pneumonia grave, apesar de a positividade desses exames ser habitualmente baixa.

Pérola Clínica

Critérios MAIORES ATS/IDSA = Choque Séptico ou Ventilação Mecânica. Confusão e PaO2/FiO2 < 250 são MENORES.

Resumo-Chave

A gravidade da PAC é definida por critérios clínicos e laboratoriais; a confusão mental e a hipoxemia grave são critérios menores, não maiores, para admissão em UTI.

Contexto Educacional

O manejo da Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) exige uma estratificação rápida para decidir o local de tratamento e o espectro antibiótico. O paciente do caso apresenta CURB-65 de 4 (Confusão, Ureia, Respiração, Idade), indicando alta mortalidade. Pelos critérios da ATS/IDSA, ele possui vários critérios menores (Confusão, Ureia, FR, PaO2/FiO2 < 250, infiltrado multilobar), o que também o classifica como PAC grave (necessários 3 menores). A identificação correta desses critérios evita o subtratamento e garante a vigilância necessária em ambiente de terapia intensiva quando indicado.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios maiores da ATS/IDSA para pneumonia grave?

Existem apenas dois critérios maiores: necessidade de ventilação mecânica invasiva e choque séptico com necessidade de vasopressores. A presença de apenas um desses critérios define a pneumonia como grave e indica, geralmente, a necessidade de cuidados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Como é calculado o CURB-65 e o que ele indica?

O CURB-65 avalia: Confusão mental (1 pt), Ureia > 50 mg/dL (1 pt), Frequência Respiratória ≥ 30 irpm (1 pt), Pressão Arterial Sistólica < 90 ou Diastólica ≤ 60 mmHg (1 pt) e Idade ≥ 65 anos (1 pt). Pontuação 0-1: ambulatorial; 2: considerar internação; ≥ 3: internação hospitalar (frequentemente UTI se ≥ 4).

Por que não usar monoterapia com macrolídeo em pacientes graves?

Em pacientes com comorbidades (IC, DRC) ou critérios de gravidade, o risco de resistência do Streptococcus pneumoniae aos macrolídeos é elevado. As diretrizes recomendam terapia combinada (Beta-lactâmico + Macrolídeo) ou monoterapia com Fluoroquinolona respiratória para cobrir patógenos típicos e atípicos com maior segurança.

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