Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2019
Considere o caso abaixo e a imagem da radiografia apresentados. Lia, 2 anos de idade, é levada ao pronto-socorro com queixa materna de febre (temperatura axilar medida entre 38,2 °C e 38,8° e tosse há dois dias. A criança não apresenta nenhum antecedente patológico significativo, nunca precisou de atendimento de emergência e possui esquema vacinal adequado para a idade. No exame físico, encontra-se febril (38,6 °C), frequência cardíaca = 110 batimentos por minuto, frequência respiratória = 55 movimentos respiratórios por minuto, saturação de oxigênio de 96%, tempo de enchimento capilar de 2 segundos, ausculta pulmonar com roncos difusos e estertores crepitantes no hemitórax direito. Não existe nenhuma outra alteração no exame físico. A radiografia realizada é apresentada a seguir. Apenas com os dados da história e do exame físico, o diagnóstico de Lia é de:
Febre + Tosse + Taquipneia = Diagnóstico clínico de Pneumonia em Pediatria.
O diagnóstico de pneumonia na criança é eminentemente clínico, sendo a taquipneia o sinal de maior sensibilidade e especificidade para o comprometimento do parênquima.
A pneumonia adquirida na comunidade (PAC) é uma das principais causas de morbimortalidade na infância. O caso de Lia ilustra a apresentação clássica: febre, tosse e alterações no exame físico (taquipneia e estertores). A frequência respiratória de 55 irpm em uma criança de 2 anos ultrapassa o limite de normalidade (40 irpm), sendo o marcador mais fidedigno de infecção do trato respiratório inferior. A presença de estertores crepitantes localizados corrobora a consolidação alveolar. O reconhecimento precoce permite o início imediato da antibioticoterapia empírica, reduzindo o risco de complicações como empiema ou sepse.
A taquipneia (aumento da frequência respiratória para a idade) é o sinal clínico isolado mais sensível e específico para o diagnóstico de pneumonia em crianças. Para uma criança de 2 anos, como no caso, uma frequência respiratória ≥ 40 irpm é considerada taquipneia; a paciente apresentava 55 irpm, reforçando o diagnóstico.
Não. Segundo as diretrizes da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e da OMS, o diagnóstico de pneumonia em pacientes ambulatoriais com quadro clínico típico (febre, tosse e taquipneia) é clínico. A radiografia é reservada para casos de dúvida diagnóstica, falha terapêutica ou suspeita de complicações.
Nesta faixa etária, os vírus respiratórios continuam sendo importantes, mas o Streptococcus pneumoniae (pneumococo) é o principal agente bacteriano. O tratamento empírico inicial geralmente foca na cobertura do pneumococo com amoxicilina, caso o paciente apresente critérios de gravidade ou suspeita bacteriana clara.
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