PAC em Adultos Jovens: Tratamento Ambulatorial e CRB-65

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2022

Enunciado

Mulher, 36 anos de idade evolui há 4 dias com febre (38,7º C), tosse produtiva com expectoração purulenta e dor torácica ventilatório dependente. Estava em uso apenas de dipirona para febre. Não procurou auxílio médico até a data de hoje. Nega doenças prévias, uso de antibióticos ou internações recentes. Ao exame físico: Consciente e orientada, hidratada, acianótica, anictérica. AC: ritmo cardíaco regular em 2 tempos sem sopros FC: 98 bpm PA: 110 x 70mmHg AP: crepitações finas base direita FR: 19 ipm sem outras alterações no exame físico. O aparelho de RX está quebrado. Sobre o caso é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Está indicado uso de ceftriaxone com azitromicina EV em ambiente hospitalar e coleta de hemograma, ureia, creatinina, Na⁺ e K⁺
  2. B) Deverá aguardar o RX de tórax para definir o esquema antimicrobiano, além de realizar hemograma e hemocultura.
  3. C) O diagnóstico é de PAC e por apresentar CRB-65 (Escore simplificado de gravidade da PAC da British Thoracic Society) de 1, não necessita internação.
  4. D) Por não apresentar comorbidades ou riscos de infecção por agentes resistentes pode ser utilizado Amoxacilina+Clavulanato VO 12/12h.

Pérola Clínica

PAC em paciente jovem sem comorbidades e CRB-65 baixo → tratamento ambulatorial com Amoxicilina+Clavulanato VO.

Resumo-Chave

A paciente apresenta quadro clínico sugestivo de Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) e, por ser jovem, sem comorbidades e com baixo escore de gravidade (CRB-65 = 0), pode ser tratada ambulatorialmente. A combinação Amoxicilina+Clavulanato é uma opção adequada para cobertura dos patógenos mais comuns.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção pulmonar aguda que representa um desafio diagnóstico e terapêutico comum na prática médica. A avaliação da gravidade é crucial para decidir o local de tratamento (ambulatorial ou hospitalar) e o esquema antimicrobiano. Ferramentas como o escore CRB-65 (Confusão, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade > 65 anos) são amplamente utilizadas para estratificar o risco de mortalidade e guiar a conduta. No caso apresentado, a paciente é jovem (36 anos), sem comorbidades e apresenta um CRB-65 de 0 (nenhum dos critérios presentes: sem confusão, FR 19, PA 110x70, idade < 65). Isso a classifica como de baixo risco, indicando tratamento ambulatorial. A ausência de um raio-X não impede o diagnóstico clínico de PAC, especialmente em um contexto de sintomas típicos e exame físico compatível. O tratamento empírico para PAC ambulatorial em pacientes sem comorbidades e sem fatores de risco para patógenos resistentes geralmente envolve antibióticos que cobrem os principais agentes etiológicos, como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. A Amoxicilina ou a combinação Amoxicilina+Clavulanato são escolhas eficazes. A azitromicina seria uma alternativa para pacientes alérgicos à penicilina ou em regiões com alta prevalência de patógenos atípicos. O acompanhamento clínico é fundamental para avaliar a resposta ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore CRB-65 para avaliar a gravidade da PAC?

O CRB-65 avalia Confusão mental, Frequência Respiratória ≥ 30 ipm, Pressão Arterial (PAS < 90 mmHg ou PAD ≤ 60 mmHg) e Idade ≥ 65 anos. Cada critério presente soma 1 ponto.

Quando a PAC pode ser tratada ambulatorialmente?

Pacientes com CRB-65 de 0 ou 1, sem comorbidades significativas, sem hipoxemia grave e que conseguem se alimentar e tomar medicação oral, geralmente podem ser tratados em casa.

Qual o esquema antibiótico inicial para PAC ambulatorial em pacientes sem comorbidades?

Para pacientes sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, Amoxicilina ou Amoxicilina+Clavulanato são opções de primeira linha. Macrolídeos (azitromicina) podem ser considerados em casos de alergia ou suspeita de atípicos.

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