INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015
Uma mulher de 75 anos de idade procurou atendimento em uma Unidade Básica de Saúde por apresentar, há três dias, quadro de febre baixa, tosse com escarro purulento e leve dispneia. Fumante há cerca de 35 anos (cerca de 25 cigarros/dia), possui diagnóstico prévio de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Há 10 dias, aproximadamente, iniciou quadro com coriza diária, tosse seca e mialgia. Ao exame físico, observa-se: mucosas descoradas (++/4+), paciente hidratada, pressão arterial = 120 x 70 mmHg, frequência cardíaca = 120 bpm, frequência respiratória = 32 irpm, temperatura axilar = 38ºC. A ausculta pulmonar permitiu constatar frêmito tóraco-vocal aumentado e estertores crepitantes no terço inferior do hemitórax esquerdo. A radiografia de tórax evidenciou condensação em lobo inferior esquerdo, sem derrame pleural. Considerando o quadro apresentado, quais são, respectivamente, o principal agente infeccioso no quadro clínico descrito e a conduta apropriada a ser tomada nesse momento para a paciente?
Idoso + Taquipneia (FR 32) + Taquicardia (FC 120) = CURB-65 elevado → Internação hospitalar.
A gravidade da PAC é definida por parâmetros clínicos; a presença de taquipneia importante e instabilidade hemodinâmica em um idoso com DPOC exige tratamento hospitalar imediato.
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma causa importante de morbimortalidade em idosos. O diagnóstico é clínico-radiológico, caracterizado por infiltrado novo no RX de tórax associado a sintomas agudos como tosse, febre e dispneia. No idoso, a apresentação pode ser atípica, manifestando-se apenas como queda do estado geral ou confusão mental. O tratamento deve ser iniciado precocemente. Para pacientes internados em enfermaria, a terapia empírica geralmente envolve um beta-lactâmico associado a um macrolídeo ou uma quinolona respiratória isolada. A escolha deve considerar o perfil de resistência local e as comorbidades do paciente, como o DPOC, que aumenta o risco de patógenos gram-negativos.
O CURB-65 avalia: Confusão mental, Ureia (>43), Respiração (FR ≥ 30), Blood pressure (PAS < 90 ou PAD ≤ 60) e Idade (≥ 65). A paciente pontua pela Idade (75 anos) e pela Respiração (FR 32). Com 2 pontos, a internação deve ser considerada; com a taquicardia associada e DPOC, o manejo hospitalar é a conduta mais segura.
O Streptococcus pneumoniae (pneumococo) continua sendo o agente mais comum em todas as faixas etárias e comorbidades. Em pacientes com DPOC, também há um aumento na incidência de Haemophilus influenzae e Moraxella catarrhalis, mas o pneumococo permanece como a principal causa de pneumonia lobar típica.
Sinais de alerta incluem: FR ≥ 30 irpm, instabilidade hemodinâmica (PAS < 90 mmHg), confusão mental aguda, hipoxemia (SatO2 < 90% em ar ambiente), comprometimento multilobar no RX e presença de comorbidades descompensadas. O escore CRB-65 (sem ureia) pode ser usado na atenção primária.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo