UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2015
Paciente do sexo masculino, 62 anos, veio ao pronto-socorro com quadro de tosse produtiva com expectoração amarelada e febre há 4 dias. Há um dia passou a apresentar cansaço fácil. Nega comorbidades. Ao exame físico: Glasgow = 15; pressão arterial = 130 x 90 mmHg; frequência cardíaca = 104 bpm; frequência respiratória = 26/minuto; temperatura = 38,5°C. Exames complementares – gasometria arterial: pH = 7,38 / pO2 = 68 mmHg / SatO2 = 94% em ar ambiente; ureia = 54 mg/dl; sódio = 136 mEq/L; glicemia = 145 mg/dl; hematócrito = 33,2%. RX de tórax = hipotransparência em base do pulmão direito, com broncograma aéreo, sem derrame pleural. Sobre o caso, a conduta mais adequada é:
A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção respiratória aguda comum, responsável por significativa morbidade e mortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. O diagnóstico precoce e a estratificação de risco são essenciais para determinar o local e o tipo de tratamento, otimizando os resultados e evitando internações desnecessárias. A epidemiologia da PAC varia conforme a idade e fatores de risco, sendo o Streptococcus pneumoniae o agente etiológico mais comum. O diagnóstico da PAC é clínico-radiológico, com sintomas como tosse, febre, dispneia e dor torácica, associados a um infiltrado novo na radiografia de tórax. A estratificação de risco é feita principalmente pelo escore CURB-65, que avalia confusão, ureia, frequência respiratória, pressão arterial e idade. No caso apresentado, o paciente tem 62 anos, FR 26, FC 104, T 38,5, pO2 68, SatO2 94% e ureia 54 mg/dl. Apenas a ureia confere 1 ponto no CURB-65, indicando baixo risco. A conduta terapêutica é guiada pela estratificação de risco. Pacientes com CURB-65 de 0-1 ponto podem ser tratados ambulatorialmente. Para esses pacientes sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, um macrolídeo (como azitromicina) é a escolha inicial. A internação em enfermaria é indicada para 2 pontos, e em UTI para 3 ou mais pontos, ou presença de critérios de gravidade maiores. O prognóstico é geralmente bom com tratamento adequado, mas a falha em estratificar corretamente pode levar a desfechos adversos.
O escore CURB-65 avalia Confusão mental, Ureia > 50 mg/dL, Frequência Respiratória > 30 irpm, Pressão Arterial (sistólica < 90 mmHg ou diastólica < 60 mmHg) e Idade > 65 anos. Cada item vale 1 ponto.
Pacientes com 0 a 1 ponto no escore CURB-65, sem comorbidades significativas ou instabilidade clínica, podem ser tratados ambulatorialmente. Com 2 pontos, a internação em enfermaria é geralmente indicada.
Para pacientes ambulatoriais sem comorbidades e sem uso recente de antibióticos, um macrolídeo (azitromicina, claritromicina) ou doxiciclina são as opções de primeira linha. Em áreas com alta resistência a macrolídeos, uma fluoroquinolona respiratória pode ser considerada.
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