Pneumonia Adquirida na Comunidade Grave: Manejo e ATB

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2021

Enunciado

Uma paciente diabética, de 68 anos de idade, apresentava tosse produtiva com expectoração amarelada associada a dor torácica. Ao exame físico, apresentava-se com estado geral debilitado, temperatura axilar de 38 oC, saturação periférica de oxigênio de 88%, frequência cardíaca de 110 bpm, frequência respiratória de 32 irpm e pressão arterial de 94 mmHg × 58 mmHg, além de estertores crepitantes audíveis em base de hemitórax direito. A radiografia de tórax demostrou opacidade no lobo inferior direito. Os exames laboratoriais revelaram leucocitose sem desvio à esquerda, ureia: 66 mg/dL e creatinina 1,8 mg/dL, sem outras alterações significativas.Considerando esse caso clínico, assinale a opção que contém o antibiótico e o regime de administração mais indicados a essa paciente.

Alternativas

  1. A) ceftriaxona com azitromicina, em regime de internação
  2. B) claritromicina ambulatorial, com a primeira dose intravenosa na emergência
  3. C) amoxicilina com ácido clavulânico, em regime ambulatorial
  4. D) piperacilina-tazobactam, sob internação

Pérola Clínica

PAC grave (CURB-65 alto, hipoxemia, hipotensão) em idosa diabética → internação + Ceftriaxona + Azitromicina.

Resumo-Chave

A paciente apresenta critérios de gravidade para Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC), como idade >65 anos, confusão mental (estado geral debilitado), ureia e creatinina elevadas, hipotensão, taquipneia e hipoxemia. Isso indica a necessidade de internação e antibioticoterapia de amplo espectro, como ceftriaxona e azitromicina.

Contexto Educacional

A Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC) é uma infecção respiratória aguda que afeta o parênquima pulmonar, sendo uma das principais causas de morbimortalidade, especialmente em idosos e pacientes com comorbidades. A avaliação da gravidade da PAC é fundamental para determinar o local de tratamento (ambulatorial, enfermaria ou UTI) e a escolha da antibioticoterapia. Ferramentas como o escore CURB-65 (Confusão, Ureia, Frequência Respiratória, Pressão Arterial, Idade > 65 anos) são amplamente utilizadas para essa estratificação de risco. No caso apresentado, a paciente de 68 anos, diabética, com sinais de instabilidade hemodinâmica (PA 94x58 mmHg, FC 110 bpm), hipoxemia (SatO2 88%), taquipneia (FR 32 irpm), alteração do estado geral e disfunção renal (ureia 66 mg/dL, creatinina 1,8 mg/dL), apresenta múltiplos critérios de gravidade. Pelo CURB-65, ela teria pelo menos 4 pontos (Confusão/Estado geral debilitado, Ureia elevada, FR elevada, PA baixa, Idade > 65), indicando necessidade de internação hospitalar, possivelmente em UTI. Para PAC grave que requer internação, a terapia empírica recomendada geralmente inclui um beta-lactâmico (como ceftriaxona ou ampicilina/sulbactam) para cobrir patógenos típicos como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae, associado a um macrolídeo (como azitromicina ou claritromicina) para cobrir patógenos atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella spp.). A combinação de ceftriaxona e azitromicina é uma escolha robusta e amplamente aceita para este cenário, administrada em regime de internação para monitoramento e suporte.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios do escore CURB-65 para avaliar a gravidade da PAC?

O CURB-65 avalia: Confusão mental, Ureia > 50 mg/dL, Frequência Respiratória ≥ 30 irpm, Pressão Arterial (sistólica < 90 mmHg ou diastólica ≤ 60 mmHg) e Idade ≥ 65 anos. Cada item vale 1 ponto.

Por que a combinação de ceftriaxona e azitromicina é indicada para PAC grave?

A ceftriaxona (cefalosporina de 3ª geração) cobre patógenos típicos como Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. A azitromicina (macrolídeo) adiciona cobertura para patógenos atípicos (Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Legionella spp.), que são comuns em PAC grave.

Quais são os principais fatores de risco para PAC grave em idosos?

Fatores de risco incluem idade avançada, comorbidades (diabetes, DPOC, insuficiência cardíaca, doença renal crônica), imunossupressão, desnutrição, história de hospitalização recente e alterações do estado mental.

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